TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2023
Paciente de 61 anos de idade, sexo masculino, tabagista, procura o pronto-socorro referindo dor ventilatório-dependente, tosse, hemoptise e febre não termometrada. Ao exame radiológico, foi identificado derrame pleural extenso em hemitórax direito. Foi realizada drenagem de tórax, e enviada ao laboratório para análise. É indicativo de tuberculose se o líquido apresentar:
TB Pleural = Exsudato + Linfocitose (>75%) + ADA >40 U/L + Células mesoteliais <5%.
O derrame pleural tuberculoso é um exsudato inflamatório caracterizado por alta celularidade linfocítica, níveis elevados de ADA e ausência de células mesoteliais devido ao bloqueio fibrinoso da pleura.
O derrame pleural tuberculoso resulta de uma reação de hipersensibilidade tardia a antígenos micobacterianos no espaço pleural. Caracteriza-se bioquimicamente como um exsudato conforme os Critérios de Light (relação proteína pleural/sérica > 0,5 ou LDH pleural/sérico > 0,6). A análise citológica revela um predomínio de linfócitos (geralmente > 75%) e uma escassez marcante de células mesoteliais. A dosagem de ADA é uma ferramenta diagnóstica crucial devido à sua alta acurácia em países com alta prevalência da doença.
O valor de corte mais aceito para a Adenosina Deaminase (ADA) no líquido pleural é de 40 U/L. Valores acima deste limite, em um contexto clínico sugestivo e com líquido exsudativo de predomínio linfocítico, apresentam alta sensibilidade e especificidade para o diagnóstico de pleurite tuberculosa, frequentemente dispensando a biópsia pleural em áreas endêmicas.
A intensa reação inflamatória granulomatosa na pleura visceral e parietal causa um espessamento e deposição de fibrina que recobre a camada mesotelial. Consequentemente, a presença de mais de 5% de células mesoteliais no líquido pleural torna o diagnóstico de tuberculose muito improvável, sendo um importante critério de exclusão diagnóstica.
Ambos são exsudatos linfocíticos. No entanto, a tuberculose geralmente apresenta níveis de ADA significativamente mais elevados (>40 U/L) e proteínas totais frequentemente acima de 4,0-4,5 g/dL. A citologia oncótica e a biópsia pleural são fundamentais para a diferenciação definitiva, mas o ADA é o biomarcador inicial mais útil na triagem.
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