FBHC - Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (SE) — Prova 2020
A.C.J.F, 51 anos, Neoplasia de mama esquerda com linfadenectomia axilar associada há 01 ano. Nos últimos 15 dias, queixa-se de dor torácica associada a dispneia. Refere tosse leve e nega episódios de febre. Refere último ciclo de quimioterapia há 6 meses. Informa que há 02 meses foi realizado punção no tórax em hospital de urgência de sua cidade, refere mesmas queixas no episódio. Diabética em uso de insulina. Nega uso de outras medicações. Exames laboratoriais sem quaisquer alterações. Ao exame: MV + bilateralmente com diminuição do murmúrio vesicular em base esquerda. Macicez à percussão em base ipsilatetal. Sat O2 90%, FR 21 ipm FC: 110 bpm ao repouso. Nega tabagismo prévio. Solicitado radiografia de tórax e verificado opacidade em base esquerda. Optado por equipe assistente em solicitar tomografia (abaixo).
Derrame pleural de repetição em paciente oncológico → Investigar malignidade (punção + biópsia pleural).
Em pacientes com histórico de neoplasia (especialmente mama) e derrame pleural de repetição, a principal preocupação é a etiologia maligna. A investigação deve ser aprofundada, incluindo a análise do líquido pleural (citologia, bioquímica) e, se necessário, biópsia pleural para confirmar ou excluir metástase ou outra causa relacionada ao câncer.
O derrame pleural é o acúmulo anormal de líquido no espaço pleural, e sua presença em pacientes com histórico de neoplasia, especialmente de mama, levanta forte suspeita de etiologia maligna. O câncer de mama é uma das principais causas de derrame pleural maligno, que pode ocorrer por metástase direta para a pleura, obstrução linfática (como após linfadenectomia axilar), ou por outras causas paraneoplásicas. A ocorrência de derrame pleural de repetição, como no caso apresentado, reforça a necessidade de uma investigação diagnóstica aprofundada. A investigação de um derrame pleural começa com a anamnese e exame físico, seguidos por exames de imagem como radiografia e tomografia de tórax. A toracocentese diagnóstica (punção de líquido pleural) é o próximo passo essencial, permitindo a análise do líquido (aspecto, bioquímica, citologia, microbiologia). Em derrames malignos, o líquido é geralmente um exsudato e a citologia pode revelar células neoplásicas. No entanto, a citologia pode ter sensibilidade limitada, especialmente em derrames precoces ou com baixo número de células malignas. Quando a citologia do líquido pleural é negativa, mas a suspeita de malignidade persiste, a biópsia pleural (percutânea ou por videotoracoscopia) torna-se fundamental para obter tecido para análise histopatológica. A videotoracoscopia oferece a vantagem de visualização direta da pleura e biópsias direcionadas, aumentando a taxa de sucesso diagnóstico. O tratamento do derrame pleural maligno visa aliviar os sintomas e pode incluir toracocentese de repetição, pleurodese ou colocação de cateter pleural permanente, dependendo do prognóstico e da condição do paciente.
Os sinais e sintomas de derrame pleural incluem dispneia (principalmente aos esforços), dor torácica pleurítica, tosse seca, e no exame físico, diminuição ou abolição do murmúrio vesicular, macicez à percussão e diminuição da expansibilidade torácica no lado afetado.
A punção de líquido pleural é crucial para a análise diagnóstica, permitindo diferenciar transudatos de exsudatos e, em casos de câncer, realizar citologia para pesquisa de células malignas. Em derrames de repetição, é fundamental para investigar a etiologia e guiar o tratamento, especialmente se houver suspeita de malignidade.
A biópsia pleural é indicada quando a análise do líquido pleural não é diagnóstica, mas a suspeita de malignidade (como metástase de câncer de mama) ou tuberculose permanece alta. Ela permite a análise histopatológica do tecido pleural, aumentando a acurácia diagnóstica em casos complexos ou de repetição.
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