Derrame Pleural em Pneumonia Pediátrica: Manejo e Diagnóstico

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2026

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 7 meses de idade, chega ao Pronto Atendimento com febre, desconforto respiratório e tosse produtiva h 2 dias. O quadro se iniciou há 6 dias com febre baixa, tosse e coriza, mas houve agravamento nas últimas 48 horas, com febre mais alta, prostração e tosse produtiva com escarro amarelo. Levado ontem ao PA, foi prescrito salbutamol spray e amoxicilina, para sinusite e crise de broncoespasmo. Contudo, como não houve melhora, a mãe o trouxe novamente. Dado o desconforto respiratório, foi iniciada oxigenoterapia por cateter nasal e solicitada a transferência para Unidade de Terapia Intensiva (UTI). História perinatal e história pregressa sem dados relevantes, vacinação em dia com cicatriz vacinal da BCG presente. Exame físico: taquidispneico com uso importante de musculatura acessória, FR 60 irpm e FC: 150bpm. Obstrução nasal por coriza e membranas timpânicas hiperemiadas. Ausculta cardiovascular: bulhas normofonéticas e rítmicas em 2 tempos, sem sopros. Aparelho respiratório: murmúrio vesicular diminuído em base direita, sem ruídos adventícios. Abdome livre. Radiografia de tórax: derrame pleural leve à direita. O hemograma mostrou leucocitose com predomínio de linfócitos. Com relação ao quadro clínico descrito acima, é CORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) Trata se de pneumonia comunitária bacteriana, devendo se iniciar azitromicina e realizar punção de alívio do derrame pleural.
  2. B) Embora o quadro sugira uma infecção viral, é recomendada a toracocentese para alívio e o estudo do líquido pleural para diagnóstico diferencial.
  3. C) Trata se de pneumonia tuberculosa, devendo se puncionar o líquido pleural para identificação do Mycobacterium tuberculosis antes do tratamento.
  4. D) Trata se de pneumonia bacteriana atípica, devendo se iniciar gentamicina associada à amoxicilina já em uso para melhor cobertura terapêutica.

Pérola Clínica

Pneumonia lactente com derrame pleural e leucocitose linfocitária → Sugere etiologia viral = Toracocentese diagnóstica/terapêutica é indicada.

Resumo-Chave

Em lactentes com pneumonia e derrame pleural, a leucocitose com predomínio linfocitário pode sugerir etiologia viral, embora a toracocentese seja crucial para análise do líquido pleural e alívio do desconforto respiratório, diferenciando entre derrame parapneumônico e empiema.

Contexto Educacional

A pneumonia em lactentes, especialmente quando complicada por derrame pleural, exige uma abordagem diagnóstica e terapêutica cuidadosa. A presença de um derrame pleural, mesmo que leve, indica a necessidade de avaliação mais aprofundada, sendo a toracocentese um procedimento chave. Este procedimento permite não apenas o alívio de sintomas respiratórios, mas também a coleta de líquido para análise bioquímica, citológica e microbiológica, essencial para guiar o tratamento. A leucocitose com predomínio linfocitário no hemograma pode ser um indicativo de infecção viral, comum em crianças pequenas. No entanto, a sobreposição de infecções virais e bacterianas é frequente, e a complicação com derrame pleural pode ser de origem bacteriana (parapneumônico ou empiema). Portanto, a análise do líquido pleural é crucial para diferenciar essas condições e determinar a necessidade de antibioticoterapia específica e/ou drenagem.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da toracocentese em casos de derrame pleural em pneumonia pediátrica?

A toracocentese é fundamental para análise do líquido pleural (diagnóstico diferencial entre derrame parapneumônico e empiema) e para alívio do desconforto respiratório.

Um hemograma com leucocitose e predomínio linfocitário em pneumonia com derrame pleural sugere qual etiologia?

Sugere uma etiologia viral, embora a presença de derrame exija investigação para descartar complicações bacterianas.

Quando a antibioticoterapia deve ser iniciada em pneumonia pediátrica com derrame pleural?

A decisão de iniciar ou ajustar a antibioticoterapia depende da análise do líquido pleural e da avaliação clínica, considerando a possibilidade de infecção bacteriana secundária ou empiema.

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