UFU/HC - Hospital de Clínicas de Uberlândia (MG) — Prova 2015
Maria Emília, 3 anos, é internada com quadro de hiporexia, febre, coriza e tosse há 5 dias. Imunização adequada. Sem passado mórbido relevante. Ao exame- eutrófica, Tax- 37,7°.C, Fr- 50irpm, retrações subcostais, murmúrio vesicular reduzido a direita. Raio X de tórax mostrou infiltrado alveolar em lobo superior direito e derrame pleural ipsilateral. Assinale a alternativa com a conduta CORRETA:
Pneumonia + derrame pleural em criança = Toracocentese diagnóstica e terapêutica + Penicilina EV (cobertura S. pneumoniae).
Em uma criança com pneumonia e derrame pleural, a presença de retrações subcostais e murmúrio vesicular reduzido indica um derrame significativo. A conduta inicial correta é a toracocentese, que tem valor diagnóstico (análise do líquido pleural) e terapêutico (alívio da compressão pulmonar). A penicilina endovenosa é o antibiótico de escolha para cobrir o Streptococcus pneumoniae, principal agente etiológico de pneumonia bacteriana em crianças.
A pneumonia com derrame pleural é uma complicação comum de infecções respiratórias bacterianas em crianças, especialmente aquelas causadas por Streptococcus pneumoniae. O quadro clínico pode incluir febre, tosse, desconforto respiratório e dor torácica. A presença de um derrame pleural significativo, como evidenciado por retrações subcostais e murmúrio vesicular reduzido, exige uma avaliação e manejo cuidadosos para evitar complicações como o empiema. O diagnóstico é confirmado por radiografia de tórax, que mostra o infiltrado alveolar e o derrame pleural. A conduta inicial para um derrame pleural de volume considerável ou com sinais de complicação é a toracocentese. Este procedimento não só alivia a compressão pulmonar, melhorando a respiração, mas também permite a coleta de líquido pleural para análise bioquímica, citológica e microbiológica, diferenciando um derrame parapneumônico simples de um complicado ou empiema. A análise do líquido pleural (pH, glicose, LDH, celularidade) é crucial para guiar o tratamento. O tratamento envolve antibioticoterapia adequada e, frequentemente, a drenagem do líquido pleural. A penicilina endovenosa é a primeira escolha para cobrir o Streptococcus pneumoniae. Em casos de empiema (líquido pleural purulento, pH < 7,20, glicose < 40 mg/dL, LDH > 1000 U/L), a drenagem pleural por tubo torácico é geralmente necessária, podendo ser complementada com fibrinolíticos intrapleurais ou videotoracoscopia. O manejo precoce e agressivo é fundamental para um bom prognóstico e para evitar sequelas pulmonares.
Sinais clínicos incluem taquipneia, desconforto respiratório (retrações subcostais, batimento de asa de nariz), tosse, febre persistente, dor torácica pleurítica e, ao exame físico, macicez à percussão e murmúrio vesicular reduzido ou abolido na área afetada.
A toracocentese é indicada para derrames pleurais de tamanho moderado a grande, derrames que causam desconforto respiratório significativo, ou quando há suspeita de derrame parapneumônico complicado ou empiema. Ela serve tanto para diagnóstico (análise do líquido) quanto para alívio terapêutico.
A antibioticoterapia empírica inicial deve cobrir os patógenos mais comuns, principalmente Streptococcus pneumoniae. A penicilina cristalina endovenosa é uma excelente escolha, podendo ser associada a outros antibióticos dependendo da gravidade e da epidemiologia local, como cefalosporinas de terceira geração.
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