HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2016
Menina de 3 anos apresenta quadro de tosse produtiva há 7 dias, associada à febre há 4 dias. Nas últimas 48 horas, queixando-se de dor em hipocôndrio à direita. Ao exame: diminuição de expansibilidade pulmonar à direita, macicez à percussão de terço inferior de hemitórax direito, com diminuição do murmúrio vesicular no mesmo local. Quanto ao quadro clínico, assinale a alternativa correta.
Derrame pleural em criança: USG tórax essencial para localizar, guiar punção e identificar septações, diferenciando de transudato/exsudato.
Em um quadro de derrame pleural em criança, a ultrassonografia de tórax é uma ferramenta diagnóstica e terapêutica de grande valor. Ela permite não só a confirmação e quantificação do derrame, mas também a identificação de septações e a escolha do melhor local para a punção pleural, otimizando o manejo e evitando complicações.
O derrame pleural em crianças é uma condição comum, frequentemente associada a pneumonias bacterianas (derrame parapneumônico) ou outras causas infecciosas e inflamatórias. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para evitar complicações como o empiema. A apresentação clínica pode variar, mas sintomas como tosse, febre e dor torácica, juntamente com achados de exame físico como macicez à percussão e diminuição do murmúrio vesicular, são altamente sugestivos. A radiografia de tórax é o exame inicial para confirmar a presença do derrame, mostrando velamento do seio costo-frênico e, em casos maiores, opacificação homogênea do hemitórax. No entanto, a ultrassonografia de tórax tem se mostrado uma ferramenta superior para a avaliação detalhada. Ela permite não só a confirmação do derrame, mas também a quantificação, a identificação de septações (que indicam um líquido mais espesso e podem exigir drenagem mais agressiva) e, crucialmente, a orientação para a punção pleural diagnóstica e terapêutica, aumentando a segurança e a eficácia do procedimento. O tratamento inicial de um derrame parapneumônico envolve antibioticoterapia empírica de amplo espectro, cobrindo os patógenos mais comuns. A análise do líquido pleural (proteínas, DHL, glicose, pH, celularidade, cultura) é fundamental para diferenciar transudato de exsudato e guiar a terapia antimicrobiana específica. Em casos de exsudato complicado ou empiema, a drenagem pleural (toracocentese ou dreno torácico) é frequentemente necessária, e a USG é indispensável para guiar esses procedimentos. Para residentes, a familiaridade com a semiologia do derrame pleural e a compreensão da utilidade da USG são competências essenciais para a prática pediátrica.
Os sinais clínicos incluem tosse produtiva, febre, dor torácica ou abdominal (como dor em hipocôndrio direito), diminuição da expansibilidade pulmonar, macicez à percussão e diminuição ou abolição do murmúrio vesicular na área afetada.
A ultrassonografia de tórax é altamente útil porque é não invasiva, não utiliza radiação, permite visualizar pequenas coleções de líquido, identificar septações (que podem indicar empiema e dificultar a drenagem), e guiar a punção pleural com segurança, minimizando riscos.
A diferenciação é feita pela análise bioquímica do líquido pleural, utilizando os Critérios de Light. Um exsudato geralmente apresenta concentrações elevadas de proteína e DHL (desidrogenase lática), além de ser comum em processos inflamatórios ou infecciosos como o derrame parapneumônico.
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