Derrame Pleural Pediátrico: Diagnóstico e Manejo

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2022

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 4 anos, deu entrada no pronto atendimento com quadro de tosse produtiva e febre há 3 dias, com piora progressiva do estado geral. A mãe nega comorbidades, internações hospitalares e uso prévio de antibióticos. Estava discretamente dispneica e febril, saturando 97% com oxigenação sob cateter nasal. Apresentava crepitação e murmúrio vesicular diminuído em base do hemitórax esquerdo à ausculta torácica. Leucograma: 14.000. A radiografia de tórax evidenciou condensação em terços médio e inferior do pulmão esquerdo, associado a derrame pleural que ocupava cerca de 1/4 do volume do hemitórax e corria 1cm na incidência de Laurel. Sobre o caso acima, assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) A tomografia de tórax não está indicada neste momento na avaliação da conduta frente ao derrame pleural descrito.
  2. B) A ultrassonografia poderia distinguir o derrame do tipo exsudato do empiema pleural.
  3. C) A crescente insuficiência respiratória da paciente associada ao derrame pleural descrito indica drenagem fechada de tórax imediata para a paciente.
  4. D) A toracocentese é opção para análise macroscópica e bioquímica do líquido pleural, porém ela pode ser dispensável neste momento.

Pérola Clínica

Derrame pleural parapneumônico em criança: avaliar sinais de complicação para indicar drenagem, nem todo derrame exige drenagem imediata.

Resumo-Chave

A indicação de drenagem torácica em derrame pleural parapneumônico depende da gravidade da insuficiência respiratória e das características do líquido pleural. Um derrame pequeno e sem sinais de complicação imediata pode requerer toracocentese diagnóstica antes da drenagem.

Contexto Educacional

O derrame pleural parapneumônico é uma complicação comum da pneumonia bacteriana em crianças, sendo crucial seu reconhecimento e manejo adequado. A incidência varia, mas é uma das principais causas de derrame pleural na faixa etária pediátrica, exigindo atenção para evitar progressão para empiema e complicações respiratórias graves. O diagnóstico inicial é feito pela clínica e radiografia de tórax. A ultrassonografia torácica é um exame complementar valioso para caracterizar o derrame (volume, septações) e guiar procedimentos. A toracocentese diagnóstica é fundamental para analisar o líquido pleural e diferenciar entre derrame simples, complicado ou empiema, orientando a conduta terapêutica. O tratamento envolve antibioticoterapia adequada e, dependendo das características do derrame, pode incluir drenagem torácica (fechada ou por videotoracoscopia) e uso de fibrinolíticos. O prognóstico é geralmente bom com manejo precoce e correto, mas atrasos podem levar a sequelas pulmonares e maior morbimortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para indicar drenagem torácica em um derrame pleural parapneumônico pediátrico?

A drenagem é indicada em casos de empiema (pus franco), derrame complicado (pH < 7,20, glicose < 40 mg/dL, LDH > 1000 U/L), derrame volumoso com insuficiência respiratória significativa ou sinais de septação à ultrassonografia.

Qual o papel da ultrassonografia torácica na avaliação do derrame pleural em crianças?

A ultrassonografia é crucial para confirmar a presença do derrame, estimar seu volume, identificar septações, guiar a toracocentese e diferenciar entre derrame simples e empiema, evitando a exposição à radiação da TC.

Como diferenciar um derrame pleural parapneumônico simples de um complicado ou empiema?

A diferenciação é feita principalmente pela análise do líquido pleural obtido por toracocentese. Derrame complicado ou empiema apresenta critérios bioquímicos alterados (pH baixo, glicose baixa, LDH alta) e/ou presença de pus.

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