FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2023
Homem, 78 anos; viúvo; aposentado; residente em área distante dos serviços de saúde; ex-tabagista (CT 44 anos maço; cessou há 20 anos/SIC); portador de hipertensão arterial, diabetes mellitus com história de febre intermitente há 4 dias sem calafrios ou sudorese, tosse produtiva com secreção espessa e amarela; taquidispneia; FR 40 irpm; uso de musculatura acessória; Sat O2 AA 89%; não teve COVID-19; pulsos artérias com pequenas amplitudes; PA 100 x 60 mmHg; FC 102 bom; oligúria; importante queda do estado geral. Chega ao pronto socorro levado por familiares; conduzido pela equipe médica assistente multidisciplinar à sala de emergência; bradpneico; nível de consciência rebaixado; expressando palavras desconexas (GSG 8). Na condução diagnóstica e terapêutica realizou a telerradiografia de tórax a seguir mostrada. Diante da alteração encontrada, a conduta mais adequada é:
Derrame pleural volumoso ou empiema + instabilidade → Drenagem de tórax imediata.
Em pacientes com pneumonia grave e evidência radiológica de grande coleção pleural associada a choque e rebaixamento de consciência, a drenagem é prioritária para controle de foco infeccioso.
O manejo do derrame pleural no idoso exige alta suspeição clínica, especialmente quando há comorbidades como DM e HAS. O quadro de febre, tosse produtiva e instabilidade hemodinâmica (PA 100x60, oligúria) sugere sepse. A presença de derrame pleural volumoso em um paciente com Glasgow 8 e taquidispneia grave torna a drenagem de tórax a conduta salvadora de vida. A fisiopatologia do empiema envolve três fases: exsudativa, fibrinopurulenta e de organização. A intervenção precoce na fase fibrinopurulenta com drenagem em selo d'água previne o encarceramento pulmonar e reduz a mortalidade. O uso de fibrinolíticos intrapleurais pode ser considerado em casos selecionados, mas a drenagem tubular permanece o padrão-ouro inicial.
A drenagem de tórax está indicada em casos de derrame pleural parapneumônico complicado ou empiema. Os critérios incluem presença de pus macroscópico na toracentese, pH < 7,2, glicose < 40-60 mg/dL, ou presença de bactérias no Gram ou cultura. Além disso, derrames volumosos que causam instabilidade hemodinâmica ou respiratória, como no caso clínico apresentado, exigem drenagem imediata para controle de foco e melhora da mecânica ventilatória.
O derrame simples é um exsudato estéril que resolve com o tratamento da pneumonia. O complicado ocorre quando há invasão bacteriana do espaço pleural, caracterizado por alterações bioquímicas (pH baixo, LDH alto, glicose baixa) e necessidade de drenagem. O empiema é o estágio final, com presença de pus franco. A distinção é crucial, pois o manejo do complicado exige intervenção cirúrgica ou drenagem, além da antibioticoterapia.
O rebaixamento do nível de consciência (Escala de Coma de Glasgow ≤ 8) em um contexto de sepse pulmonar indica disfunção orgânica grave e risco iminente de aspiração e falência respiratória. Nesses casos, a estabilização das vias aéreas e a intervenção rápida no foco infeccioso (como a drenagem de um empiema) são fundamentais para a sobrevivência do paciente, conforme os protocolos de Surviving Sepsis Campaign.
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