Derrame Pleural Parapneumônico: Fases e Diagnóstico

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem, 28a, hospitalizado para tratamento de pneumonia extensa à esquerda. Ecografia transtorácica evidenciou derrame pleural volumoso livre em hemitórax esquerdo. Exames laboratoriais: leucócitos=13.480/mm3 (10% bastões, 74% segmentados); glicemia=82mg/dL; LDH=124UI/L. Líquido pleural: leucócitos 25.000/mm³(97% neutrófilos); glicose=2mg/dL; proteína=122mg/dL; LDH=750UI/L. Iniciado antibiótico, com melhora da febre em 72 horas. A FASE EVOLUTIVA DESTE DERRAME PLEURAL É:

Alternativas

Pérola Clínica

Derrame pleural com glicose <40 mg/dL e LDH >1000 UI/L (ou >3x LSN sérico) → Empiema/Fase Fibrinopurulenta.

Resumo-Chave

A análise do líquido pleural é crucial para diferenciar um derrame parapneumônico simples de um complicado ou empiema. Glicose muito baixa e LDH muito elevada, com predomínio de neutrófilos, indicam um processo inflamatório intenso e consumo de glicose por bactérias e células inflamatórias, caracterizando a fase fibrinopurulenta.

Contexto Educacional

O derrame pleural parapneumônico é uma complicação comum da pneumonia bacteriana, variando de um exsudato simples a um empiema franco. Sua correta classificação é vital para o manejo adequado, prevenindo morbidade e mortalidade. A incidência de empiema tem aumentado, e a falha em reconhecer e tratar precocemente as formas complicadas pode levar a desfechos desfavoráveis. A fisiopatologia envolve a passagem de bactérias e mediadores inflamatórios para o espaço pleural, levando a um processo inflamatório. A análise do líquido pleural é a pedra angular do diagnóstico, com os critérios de Light para diferenciar exsudatos de transudatos, e parâmetros como glicose, LDH, pH e celularidade para identificar a complicação. Glicose muito baixa (<40 mg/dL) e LDH muito alta (>1000 UI/L ou >3x LSN sérico) são marcadores de empiema ou derrame complicado. O tratamento varia conforme a fase. Derrame simples pode ser tratado com antibióticos sistêmicos. Derrame complicado ou empiema requer drenagem do espaço pleural, geralmente por toracostomia com dreno, e pode necessitar de fibrinolíticos intrapleurais ou cirurgia (videotoracoscopia ou toracotomia) para desbridamento. O prognóstico está diretamente ligado ao reconhecimento e intervenção precoces.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para um derrame pleural parapneumônico complicado?

Os critérios incluem pH do líquido pleural < 7,20, glicose < 60 mg/dL, LDH > 3x o limite superior do normal sérico, presença de pus ou Gram/cultura positivos.

Qual a importância da glicose no líquido pleural?

A glicose baixa no líquido pleural (< 40-60 mg/dL) indica consumo por bactérias e células inflamatórias, sendo um forte preditor de derrame parapneumônico complicado ou empiema, com necessidade de drenagem.

Como diferenciar as fases do derrame pleural parapneumônico?

A fase exsudativa é um exsudato simples. A fase fibrinopurulenta (empiema) apresenta pus, glicose e pH baixos, e LDH elevado. A fase organizativa envolve loculações e fibrose.

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