SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2024
Uma escolar de nove anos está internada numa enfermaria de pediatria, com pneumonia direita há dois dias. A despeito do tratamento com ampicilina venosa na dose correta, seu desconforto respiratório persiste e ela realizou uma radiografia de tórax, que demonstrou derrame pleural de moderada intensidade. A ultra-sonografia de toráx no leito confirmou o derrame, revelando grumos. Realizou punção pleural que mostrou líquido citrino em moderada quantidade, com presença de diplococos Gram-positivos no esfregaço, assim como proteínas aumentadas, DHL elevada e glicose baixa. Qual a conduta mais apropriada para essa menina?
Empiema pleural pediátrico com Gram-positivos → Manter ATB + Drenagem pleural fechada.
Em casos de pneumonia com derrame pleural que evolui para empiema (evidenciado por características do líquido pleural como glicose baixa, DHL alta, proteínas altas e presença de bactérias), a drenagem pleural é fundamental para o sucesso do tratamento, além da antibioticoterapia adequada.
O derrame pleural parapneumônico complicado e o empiema pleural são complicações sérias da pneumonia bacteriana em crianças, exigindo reconhecimento e manejo adequados. A incidência de empiema tem variado com a introdução das vacinas pneumocócicas conjugadas, mas ainda representa um desafio clínico significativo, sendo uma causa comum de internação prolongada em pediatria. O diagnóstico é suspeitado em pacientes com pneumonia que não respondem ao tratamento inicial e que apresentam piora clínica ou radiológica. A ultrassonografia de tórax é fundamental para confirmar a presença de derrame, avaliar sua extensão e características (como a presença de septações ou grumos, indicando complicação). A toracocentese diagnóstica é imperativa para análise do líquido pleural, que tipicamente em empiema mostra características de exsudato, com glicose baixa, DHL elevada, proteínas altas e, frequentemente, presença de bactérias. A conduta terapêutica para empiema pleural envolve a manutenção da antibioticoterapia sistêmica, que deve cobrir os patógenos mais comuns (como Streptococcus pneumoniae), e a drenagem do espaço pleural. A drenagem pode ser realizada por toracocentese de repetição, drenagem pleural fechada com cateter de tórax, ou, em casos mais complexos, por videotoracoscopia ou toracotomia com decorticação. A escolha da técnica depende da extensão e organização do derrame.
Um derrame é considerado complicado quando o líquido pleural apresenta pH < 7,20, glicose < 60 mg/dL, DHL > 3x o limite superior do soro, presença de bactérias no Gram ou cultura, ou pus macroscópico.
A drenagem é crucial para remover o pus e o material fibrinoso, reduzir a carga bacteriana, melhorar a expansão pulmonar e permitir a penetração adequada dos antibióticos no espaço pleural.
O Streptococcus pneumoniae é o agente etiológico mais comum de empiema pleural em crianças, especialmente em países com baixa cobertura vacinal para pneumococo.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo