Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2020
Um paciente de 35 anos desenvolve derrame pleural direito durante um quadro de pneumônico em tratamento. Devido à persistência da febre no 7ºC dia de antibioticoterapia, decide-se pela punção pleural diagnóstica. O aspecto do líquido é amarelo citrino; a análise laboratorial revelou: relação proteína total pleural/ proteína total plasmática = 0,6; relação DHL pleural/DHL plasmático = 0,7; pH pleural = 6,9; glicose = 35 mg/dL; leucócitos = 1.800/mL citologia: polimorfonucleares. Assinale a alternativa que corresponde a conduta neste caso:
Derrame parapneumônico com pH < 7.2 ou glicose < 60 mg/dL → Drenagem pleural para evitar empiema.
A análise do líquido pleural é crucial para diferenciar um derrame parapneumônico simples de um complicado ou empiema. pH < 7.2 e glicose < 60 mg/dL são marcadores de um processo inflamatório intenso e bacteriano, indicando a necessidade de drenagem para prevenir a progressão para empiema e suas complicações.
O derrame pleural parapneumônico é uma complicação comum da pneumonia bacteriana, ocorrendo em até 40% dos casos. A sua importância clínica reside na necessidade de identificar precocemente os casos complicados, que podem evoluir para empiema, uma infecção purulenta do espaço pleural com alta morbimortalidade se não tratada adequadamente. A distinção entre derrame simples e complicado é fundamental para guiar a conduta terapêutica e evitar desfechos desfavoráveis. A fisiopatologia envolve a passagem de bactérias e mediadores inflamatórios da pneumonia para o espaço pleural, levando a um processo inflamatório. A análise do líquido pleural, com atenção especial ao pH e à glicose, é o pilar diagnóstico. Um pH < 7.2 e/ou glicose < 60 mg/dL são fortes indicadores de um derrame complicado, que já está em uma fase mais avançada de inflamação e infecção, com risco iminente de formação de pus. A presença de polimorfonucleares na citologia reforça o caráter inflamatório agudo. O tratamento do derrame parapneumônico simples é a antibioticoterapia sistêmica. No entanto, para os derrames complicados, a drenagem do líquido pleural é imperativa, geralmente por meio de um dreno torácico, para remover o material infectado e permitir a reexpansão pulmonar. A falha em drenar um derrame complicado pode levar à formação de empiema, fibrose pleural e encarceramento pulmonar, exigindo procedimentos mais invasivos como a videotoracoscopia ou toracotomia. Portanto, a decisão de drenar é um ponto crítico no manejo desses pacientes.
Os principais critérios para indicar a drenagem incluem a presença de pus franco, cultura ou Gram positivo no líquido pleural, pH pleural < 7.2, glicose pleural < 60 mg/dL, ou derrame loculado. A persistência de febre e piora clínica apesar da antibioticoterapia também são indicativos.
Um pH pleural baixo indica um aumento da atividade metabólica bacteriana e inflamatória no espaço pleural, resultando na produção de ácidos. Isso sugere um derrame parapneumônico complicado ou empiema, que requer intervenção mais agressiva, como a drenagem.
A diferenciação é feita pela análise do líquido pleural. Derrames simples geralmente têm pH > 7.2, glicose > 60 mg/dL e DHL < 3x o limite superior do soro. Derrames complicados apresentam pH < 7.2, glicose < 60 mg/dL, DHL elevado, ou presença de pus/bactérias, exigindo drenagem.
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