UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2021
Homem de 48 anos encontra-se no 5o dia de tratamento de pneumonia comunitária com cefalosporina de 2a geração, porém está mantendo febre e leucocitose. Raio X de tórax: velamento do 1/3 inferior do hemitórax direito, formando a parábola de Damoiseau. Realizada toracocentese diagnóstica. Exames do líquido pleural: aspecto amarelo opaco; pH 7,2; glicose 30 mg/dL; DHL 1 800 UI/L.A conduta mais adequada é a
Derrame pleural parapneumônico com pH < 7,20, glicose < 60 mg/dL ou pus → Drenagem torácica é mandatória.
Os achados do líquido pleural (pH 7,2, glicose 30, DHL 1800) indicam um derrame pleural parapneumônico complicado ou empiema. Nesses casos, a drenagem torácica é essencial para remover o líquido infectado, prevenir o encarceramento pulmonar e permitir a resolução da infecção.
O derrame pleural parapneumônico é uma complicação comum da pneumonia bacteriana, resultante da inflamação da pleura adjacente à infecção pulmonar. A maioria desses derrames é não complicada e se resolve com o tratamento antibiótico da pneumonia. No entanto, uma parcela pode evoluir para derrame complicado ou empiema, que requerem intervenção mais agressiva. A fisiopatologia envolve a passagem de bactérias e mediadores inflamatórios para o espaço pleural, levando a um processo inflamatório que altera as características do líquido pleural. O diagnóstico é feito pela toracocentese diagnóstica, com análise do líquido pleural. Critérios como pH < 7,20, glicose < 60 mg/dL e DHL elevado são indicativos de complicação. A conduta para derrames parapneumônicos complicados ou empiema é a drenagem torácica, geralmente com um dreno de tórax, além da antibioticoterapia sistêmica. A falha em drenar adequadamente pode levar à formação de loculações, espessamento pleural e encarceramento pulmonar, que podem necessitar de videotoracoscopia ou decorticação pulmonar.
Um derrame pleural parapneumônico é complicado se o líquido pleural apresentar pH < 7,20, glicose < 60 mg/dL, DHL > 3x o limite superior do soro, presença de bactérias na coloração de Gram ou cultura, ou pus franco (empiema).
A drenagem torácica é fundamental para remover o líquido infectado, reduzir a carga bacteriana, permitir a expansão pulmonar e prevenir a formação de loculações e o encarceramento pulmonar, que podem exigir procedimentos mais invasivos.
A parábola de Damoiseau é um sinal radiológico clássico de derrame pleural livre, indicando uma coleção de líquido que se acumula na base do pulmão e sobe lateralmente, formando uma curva côncava superiormente.
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