USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019
Criança de 6 anos de idade, internada na Pediatria do Hospital, em tratamento há 6 dias com amoxacilina para pneumonia lobar direita adquirida na comunidade, foi diagnosticada com derrame pleural pequeno em base. O pediatra realizou toracocentese diagnóstica e obteve liquido amarelo opalescente, sem odor fétido. Com o resultado dos exames a seguir, qual deve ser a conduta a ser tomada:● Dosagem de proteínas séricas 7,3 g/dL;● Dosagem de proteínas do líquido pleural 3,2 g/dL;● Desidrogenase láctica sérica 231 U/L (VN de 2 a 12 anos < 295U/L);● Desidrogenase láctica no líquido pleural 117 U/L;● Citologia: 650 celulas/ml com predomínio de mononucleares
Derrame pleural parapneumônico pequeno e não complicado → tratamento clínico e observação.
Em crianças com pneumonia e derrame pleural pequeno, a avaliação do líquido pleural é crucial. Valores de LDH e celularidade baixos, sem sinais de pus ou infecção grave, indicam um derrame parapneumônico não complicado, que geralmente responde ao tratamento antibiótico da pneumonia sem necessidade de drenagem.
O derrame pleural parapneumônico é uma complicação comum da pneumonia bacteriana, ocorrendo em até 40% dos casos. A correta avaliação e manejo são cruciais para evitar complicações como o empiema. A toracocentese diagnóstica é fundamental para analisar o líquido pleural e classificá-lo, guiando a conduta terapêutica. A distinção entre derrame não complicado, complicado e empiema é um ponto chave para residentes. A classificação do líquido pleural em exsudato ou transudato pelos critérios de Light é o primeiro passo. No contexto de pneumonia, espera-se um exsudato. No entanto, a decisão de drenar não se baseia apenas nisso, mas sim nos sinais de complicação, como pH baixo, glicose baixa, LDH muito elevada, ou presença de pus. A citologia e a cultura também são importantes para identificar a etiologia e a gravidade da infecção. Para derrames parapneumônicos não complicados, o tratamento da pneumonia com antibióticos é suficiente, e o derrame tende a resolver espontaneamente. A drenagem torácica é reservada para derrames complicados ou empiema, visando remover o pus ou o líquido infectado e facilitar a expansão pulmonar. A observação clínica e o acompanhamento radiológico são essenciais para monitorar a evolução e identificar a necessidade de intervenções adicionais.
Os critérios de Light classificam o derrame como exsudato se a relação proteína pleural/sérica for >0,5, ou a relação LDH pleural/sérica for >0,6, ou a LDH pleural for >2/3 do limite superior do normal sérico. Caso contrário, é um transudato.
A drenagem é indicada para derrames parapneumônicos complicados ou empiema, caracterizados por pH <7,20, glicose <60 mg/dL, LDH >1000 U/L, Gram/cultura positivos, presença de pus ou loculações.
Transudatos resultam de desequilíbrios hidrostáticos ou oncóticos (ex: ICC, cirrose), enquanto exsudatos são causados por inflamação da pleura ou aumento da permeabilidade capilar (ex: pneumonia, malignidade).
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