UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2020
Considere as assertivas abaixo sobre fases do derrame pleural parapneumônico. I - A fase exsudativa é caracterizada por derrame pleural livre e líquido claro; geralmente o derrame apresenta pH e glicose normais.II. - A fase fibrinopurulenta caracteriza-se por uma ou várias loculações com a presença frequente de micro-organismos; as alternativas de tratamento incluem o uso de fibrinolíticos com drenagem torácica fechada e o debridamento cirúrgico da cavidade pleural.III. - A fase de organização crônica apresenta espessamento pleural, provocando encarceramento pulmonar; o tratamento cirúrgico envolve a decorticação pulmonar.Quais são corretas?
Derrame pleural parapneumônico: exsudativa → fibrinopurulenta → organização crônica, cada fase com manejo específico.
O derrame pleural parapneumônico evolui em três fases: exsudativa (líquido livre, pH e glicose normais), fibrinopurulenta (loculações, micro-organismos, tratamento com fibrinolíticos/drenagem ou debridamento) e organização crônica (espessamento pleural, encarceramento, decorticação).
O derrame pleural parapneumônico é uma complicação comum da pneumonia bacteriana, caracterizado pelo acúmulo de líquido no espaço pleural. Sua evolução ocorre em três fases distintas, que determinam a abordagem diagnóstica e terapêutica. A compreensão dessas fases é fundamental para o manejo adequado e para evitar complicações graves. A primeira é a fase exsudativa, onde há um aumento da permeabilidade capilar pleural, resultando em um derrame livre e estéril. O líquido pleural é tipicamente um exsudato, mas com pH e glicose geralmente normais. Se não houver resolução, progride para a fase fibrinopurulenta, onde ocorre invasão bacteriana do espaço pleural, formação de fibrina e loculações, e o líquido se torna purulento (empiema). Nesta fase, o pH e a glicose do líquido pleural diminuem, e a LDH aumenta. O tratamento pode envolver drenagem torácica com ou sem fibrinolíticos, ou debridamento cirúrgico. A fase final é a de organização crônica, na qual o tecido fibroso se espessa e 'encarcerar' o pulmão, impedindo sua reexpansão completa e comprometendo a função pulmonar. Nesta etapa, a decorticação pulmonar cirúrgica é frequentemente necessária para remover a casca fibrosa e permitir a reexpansão do pulmão. O reconhecimento precoce e a intervenção apropriada em cada fase são cruciais para prevenir a progressão para estágios mais avançados e para otimizar o prognóstico do paciente.
Um derrame complicado geralmente apresenta pH < 7,20, glicose < 60 mg/dL, LDH > 3 vezes o limite superior do soro, presença de bactérias na coloração de Gram ou cultura, ou loculações.
A drenagem torácica é indicada para derrames complicados, empiema (fase fibrinopurulenta), ou derrames grandes que causam sintomas respiratórios, visando remover o líquido e prevenir a organização.
A decorticação pulmonar é um procedimento cirúrgico para remover a camada espessa de fibrina e tecido inflamatório que 'aprisiona' o pulmão na fase de organização crônica, permitindo a reexpansão pulmonar e melhorando a função respiratória.
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