Derrame Pleural Pós-Pneumonia: Diagnóstico e Manejo

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem de 48 anos, sem comorbidades conhecidas, procura pronto-atendimento com quadro de tosse com expectoração amarelada, febre e prostração há 3 dias. Ao exame físico: regular estado geral, frequência respiratória de 26ipm, FC = 98bpm, PA = 100/70mmHg, sat O₂ = 95% em ar ambiente, consciente e orientado, murmúrio vesicular presente com redução em região infraescapular direita, com estertores finos na região. Radiografia de tórax mostrada a seguir.ainda em relação ao caso citado, paciente realizou tratamento com antibiótico adequado por 7 dias, com melhora da expectoração. No entanto, mantendo tosse seca, febre e dor ventilatório-dependente em hemitórax direito. Solicitada nova radiografia de tórax, cuja imagem é mostrada a seguir:Qual é a conduta mais indicada nesse momento?

Alternativas

  1. A) Trocar antibiótico por outro de maior espectro.
  2. B) Coleta de cultura de escarro para BAAR.
  3. C) Toracocentese diagnóstica.
  4. D) Drenagem tubular em selo d’água.
  5. E) Angiotomografia de tórax.

Pérola Clínica

Febre + dor ventilatório-dependente + redução MV + RX com derrame após ATB para pneumonia → Toracocentese diagnóstica.

Resumo-Chave

A persistência de febre, dor ventilatório-dependente e achados radiológicos sugestivos de derrame pleural após tratamento adequado para pneumonia indica uma complicação, como derrame pleural parapneumônico complicado ou empiema. A toracocentese diagnóstica é essencial para analisar o líquido pleural e determinar a natureza do derrame, guiando a conduta terapêutica.

Contexto Educacional

A pneumonia é uma infecção comum, mas pode evoluir com complicações, como o derrame pleural parapneumônico. Este ocorre quando há acúmulo de líquido no espaço pleural adjacente a uma pneumonia. É fundamental para residentes e estudantes de medicina saber identificar quando um derrame se torna complicado ou evolui para empiema, uma condição mais grave. A persistência de sintomas como febre, tosse seca e dor ventilatório-dependente, juntamente com a presença de derrame pleural na radiografia de tórax, após um curso de antibióticos para pneumonia, é um forte indicativo de que o derrame não é simples e pode estar complicado ou ser um empiema. A redução do murmúrio vesicular na região infraescapular direita reforça a presença de líquido. Nesse cenário, a toracocentese diagnóstica é a conduta mais indicada. A análise do líquido pleural (pH, glicose, LDH, celularidade e cultura) é essencial para classificar o derrame e guiar o tratamento. Se o líquido for purulento (empiema) ou apresentar características bioquímicas de derrame complicado, a drenagem tubular em selo d'água será necessária para evitar fibrose pleural e sepse.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para suspeitar de um derrame pleural parapneumônico complicado ou empiema?

A suspeita surge quando há persistência de febre, dor torácica pleurítica, dispneia ou piora do estado geral após o início do tratamento antibiótico para pneumonia, associado a evidência radiológica de derrame pleural.

Qual a importância da toracocentese diagnóstica nesse cenário?

A toracocentese é crucial para analisar o líquido pleural (pH, glicose, LDH, proteínas, celularidade, cultura) e diferenciar um derrame parapneumônico simples de um complicado ou empiema, que exigem drenagem.

Quando a drenagem tubular em selo d'água seria a conduta mais indicada?

A drenagem tubular é indicada quando a toracocentese diagnóstica revela um derrame pleural complicado (pH < 7,20, glicose < 60 mg/dL, LDH > 3x limite superior do soro) ou empiema (pus franco ou cultura positiva).

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