Derrame Pleural Parapneumônico: Manejo e Critérios

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022

Enunciado

Um homem com 61 anos de idade, hipertenso, atendido em unidade de saúde, tem febre, tosse com secreção amarelada, dor torácica à direita ventilatório-dependente, dispneia aos esforços moderados e hiporexia há 3 dias. É adequadamente vacinado para pneumococo e não tem história de internações no último ano. Ao primeiro exame, apresentou-se orientado, hidratado, com temperatura axilar = 38,5 °C, frequência cardíaca (FC) = 90 batimentos por minuto (bpm), pressão arterial (PA) = 130 x 80 mmHg, frequência respiratória (FR) = 22 incursões respiratórias por minuto (irpm), sem esforço respiratório, frêmito toracovocal diminuído e estertores crepitantes no terço inferior de hemitórax direito. O resultado da oximetria de pulso em ar ambiente foi de 96% e o da radiologia simples de tórax mostrou infiltrado em lobo inferior direito com derrame pleural de 2 cm em decúbito lateral. Foi-lhe prescrito amoxicilina + clavulanato para tratamento ambulatorial e solicitada punção de líquido pleural. No terceiro dia de tratamento, o paciente relatou melhora da febre e da dispneia, mas manutenção da tosse, da dor torácica e da hiporexia, e apresentou os seguintes resultados: temperatura axilar = 37,2 °C, FC = 80 bpm, PA = 130 x 70mmHg, FR = 18 irpm, oximetria de pulso em ar ambiente = 98%. O resultado da punção torácica, guiada por ultrassom, estimou o derrame em 200 ml_, cuja análise mostrou líquido amarelo-citrino, 2.300 células com predomínio de neutrófilos, pH = 7,3, glicose = 60 mg/dL, LHD = 300 U/L, proteína = 4 g/L, Gram: não se visualizaram bactérias. A amostra sérica colhida no dia da punção mostrou glicose = 80 mg/dL (valor de referência [VR]= 60-99 mg/dL), proteínas totais = 6,6 g/dL (VR = 6,4-8,3 g/dL), LDH = 400 (VR = 180-450 U/L). Diante desse quadro clínico e dos dados apresentados, a abordagem adequada para o paciente é

Alternativas

  1. A) referenciar o paciente para a assistência hospitalar para drenagem de tórax.
  2. B) manter o tratamento com amoxicilina + clavulanato e repetir o estudo radiológico em 1 semana.
  3. C) suspender a amoxicilina + clavulanato, prescrever levofloxacina e reavaliar o paciente em 3 dias.
  4. D) manter o tratamento com amoxicilina + clavulanato, colher bacilos álcool-ácido resistente (BAAR) em escarro e reavaliar o paciente no final do tratamento.

Pérola Clínica

Derrame parapneumônico não complicado (pH > 7,2, glicose > 40, LDH < 1000) com melhora clínica inicial → manter ATB e reavaliar.

Resumo-Chave

O paciente apresenta um derrame pleural parapneumônico. A análise do líquido pleural (pH 7,3, glicose 60, LDH 300) indica um exsudato não complicado (não é empiema nem derrame complicado que necessite de drenagem imediata). Com melhora clínica parcial, a conduta é manter o antibiótico e reavaliar a evolução.

Contexto Educacional

O derrame pleural parapneumônico é uma complicação comum da pneumonia bacteriana, ocorrendo quando a inflamação pulmonar se estende à pleura. É classificado em não complicado, complicado e empiema, sendo essa diferenciação crucial para o manejo adequado. A análise do líquido pleural, obtido por toracocentese, é fundamental para essa classificação e para guiar a conduta terapêutica. No caso apresentado, o paciente tem um exsudato pleural (calculando pelos Critérios de Light: Proteína pleural/sérica = 4/6.6 = 0.60 > 0.5; LDH pleural/sérica = 300/400 = 0.75 > 0.6). No entanto, os parâmetros que indicam complicação ou empiema (pH < 7,2, glicose < 40 mg/dL, LDH > 1000 U/L, presença de pus ou bactérias no Gram) não estão presentes. O pH de 7,3 e glicose de 60 mg/dL indicam um derrame parapneumônico não complicado ou minimamente complicado, que geralmente responde bem ao tratamento antibiótico da pneumonia subjacente. Diante da melhora clínica parcial (febre e dispneia melhoraram, mas tosse e dor persistem) e da ausência de critérios para drenagem imediata, a abordagem adequada é manter o tratamento antibiótico com amoxicilina + clavulanato, que é uma escolha razoável para PAC, e monitorar a evolução. A repetição do estudo radiológico em uma semana permite avaliar a resolução do derrame e da pneumonia. A drenagem torácica seria indicada se houvesse evidência de empiema ou derrame complicado que não respondesse ao tratamento clínico. Para residentes, é vital saber interpretar a análise do líquido pleural para evitar drenagens desnecessárias ou atrasos no tratamento de empiemas.

Perguntas Frequentes

Quais são os Critérios de Light para derrame pleural?

Os Critérios de Light diferenciam exsudato de transudato: relação proteína pleural/sérica > 0,5; relação LDH pleural/sérica > 0,6; LDH pleural > 2/3 do limite superior do LDH sérico normal.

Quando um derrame pleural parapneumônico é considerado complicado?

É complicado quando o pH pleural é < 7,2, a glicose pleural é < 40 mg/dL, ou o LDH pleural é > 1000 U/L, ou há evidência de bactérias no Gram ou cultura, ou pus franco.

Qual a conduta para um derrame parapneumônico não complicado?

A conduta inicial é o tratamento da pneumonia subjacente com antibióticos. A drenagem torácica geralmente não é necessária, mas o paciente deve ser monitorado clinicamente e radiologicamente.

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