Derrame Pleural Complicado: Critérios de Drenagem

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 72 anos, com histórico de hipertensão e diabetes mellitus tipo 2, apresenta-se ao Pronto Atendimento com febre alta, tosse produtiva com expectoração purulenta e dispneia há 4 dias. No exame físico, ele apresenta crepitações em base pulmonar direita e frequência respiratória de 32 irpm. A pressão arterial é de 90/60 mmHg, a frequência cardíaca é de 110 bpm, e a saturação de oxigênio é de 88% em ar ambiente. O paciente está confuso e foi trazido por familiares que relataram alteração do estado mental nas últimas 24 horas.Após 48 horas de internação, o paciente apresenta piora clínica com derrame pleural confirmado por ultrassonografia. Qual dos resultados abaixo do líquido pleural indicaria a necessidade de drenagem do tórax?

Alternativas

  1. A) pH 7,35, Glicose 60 mg/dL, LDH 150 UI/L, Proteínas totais 2,5 g/dL.
  2. B) pH 7,1, Glicose 30 mg/dL, LDH 800 UI/L, Proteínas totais 4,0 g/dL.
  3. C) pH 7,4, Glicose 75 mg/dL, LDH 100 UI/L, Proteínas totais 2,0 g/dL.
  4. D) pH 7,2, Glicose 50 mg/dL, LDH 200 UI/L, Proteínas totais 3,0 g/dL.
  5. E) pH 7,45, Glicose 80 mg/dL, LDH 120 UI/L, Proteínas totais 2,8 g/dL.

Pérola Clínica

Derrame pleural complicado/empiema → pH < 7.2, glicose < 60 mg/dL, LDH > 3x limite superior sérico = drenagem.

Resumo-Chave

Um derrame pleural paraneumônico que evolui para complicado ou empiema requer drenagem torácica. Os critérios laboratoriais clássicos para indicar drenagem incluem pH do líquido pleural abaixo de 7.2, glicose abaixo de 60 mg/dL e LDH elevado (geralmente > 3 vezes o limite superior do soro), indicando intensa atividade metabólica bacteriana e inflamação.

Contexto Educacional

O derrame pleural paraneumônico é uma complicação comum da pneumonia bacteriana, ocorrendo quando a inflamação pulmonar se estende à pleura. É crucial diferenciar entre derrames não complicados, que respondem bem à antibioticoterapia, e derrames complicados ou empiema, que exigem drenagem torácica para evitar morbidade e mortalidade significativas. A análise do líquido pleural é fundamental para essa distinção. A fisiopatologia do derrame complicado envolve a invasão bacteriana do espaço pleural, levando a uma resposta inflamatória intensa. Isso resulta em consumo de glicose pelas bactérias e células inflamatórias, produção de ácidos (diminuindo o pH) e liberação de LDH. A suspeita deve surgir em pacientes com pneumonia que apresentam piora clínica ou persistência de sintomas apesar do tratamento adequado, ou em achados radiológicos de derrame pleural significativo. O tratamento do derrame pleural paraneumônico complicado ou empiema inclui antibioticoterapia sistêmica e drenagem do espaço pleural. A decisão de drenar é baseada nos critérios de Light modificados e na análise do líquido pleural, sendo o pH < 7.2, glicose < 60 mg/dL, LDH > 3x o limite superior sérico ou a presença de pus/bactérias os principais indicadores. O prognóstico melhora significativamente com a intervenção precoce e adequada.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados no líquido pleural que indicam um derrame complicado?

Os principais achados são pH < 7.2, glicose < 60 mg/dL e LDH > 3 vezes o limite superior do soro. A presença de bactérias na coloração de Gram ou cultura também é um critério.

Por que o pH baixo no líquido pleural é um indicador de complicação?

O pH baixo reflete a intensa atividade metabólica de bactérias e leucócitos no espaço pleural, com produção de ácidos, indicando um processo inflamatório e infeccioso significativo que não será resolvido apenas com antibióticos.

Qual a diferença entre derrame pleural paraneumônico não complicado e complicado?

O derrame não complicado geralmente é pequeno, estéril e resolve com antibióticos. O complicado é maior, tem sinais de inflamação intensa (pH baixo, glicose baixa, LDH alto) e pode progredir para empiema, necessitando de drenagem.

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