Derrame Pleural Pediátrico: Manejo na Pneumonia Grave

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2016

Enunciado

Criança de 11 meses de idade é levada a uma consulta no pronto atendimento por ter iniciado há 48 horas quadro de febre alta, tosse, taquidispneia e muita prostração. Criança hígida, cartão de vacinas em dia. Exame físico: criança com estado geral ruim, prostrada, hipocorada +++/4, hipoativa, acianótica, desidratada. Frequência cardíaca de 160 bpm; frequência respiratória de 70 irpm; murmúrio vesicular abolido em todo hemitórax esquerdo. Necessitou reposição volêmica ainda na sala de emergência do pronto atendimento. Raio X de tórax com velamento total do hemitórax esquerdo, desvio do mediastino contralateral. Considerando o caso apresentado, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Iniciar oxacilina + coleta hemocultura + toracocentese e/ou drenagem do derrame pleural
  2. B) Iniciar ampicilina + solicitar fisioterapia respiratória para atelectasia presente
  3. C) Iniciar claritromicina e solicitar dosagem de crioaglutininas
  4. D) Iniciar ampicilina + coleta hemocultura e toracocentese apenas se houver ultrassonografia do tórax

Pérola Clínica

Criança com pneumonia grave + derrame pleural extenso/desvio mediastino → ATB + hemocultura + toracocentese/drenagem.

Resumo-Chave

Em crianças com pneumonia grave e derrame pleural extenso, especialmente com sinais de comprometimento respiratório e desvio de mediastino, a conduta inicial deve incluir antibioticoterapia empírica (cobrindo Staphylococcus aureus e Streptococcus pneumoniae), coleta de hemocultura e avaliação para drenagem do derrame pleural.

Contexto Educacional

Pneumonia é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, e o derrame pleural paraneumônico é uma complicação comum. Quando o derrame é extenso, como no caso descrito com velamento total e desvio de mediastino, ele pode causar grave comprometimento respiratório e hemodinâmico, exigindo intervenção imediata. A fisiopatologia do derrame pleural paraneumônico envolve a inflamação da pleura adjacente à pneumonia, levando ao acúmulo de líquido. Se não tratado, pode evoluir para empiema, com infecção do espaço pleural. O diagnóstico é clínico e radiológico, com a radiografia de tórax mostrando o velamento e o desvio mediastinal. A conduta inicial em casos graves inclui estabilização do paciente (reposição volêmica, oxigenoterapia), antibioticoterapia empírica de amplo espectro que cubra os patógenos mais comuns (como S. pneumoniae e S. aureus), coleta de hemocultura e, crucialmente, a avaliação para toracocentese diagnóstica e/ou drenagem do derrame pleural para aliviar a compressão e tratar a infecção.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de um derrame pleural extenso em crianças?

Sinais incluem taquidispneia, prostração, murmúrio vesicular abolido, macicez à percussão e, em radiografia, velamento total do hemitórax com desvio do mediastino contralateral.

Qual a antibioticoterapia empírica inicial para pneumonia grave com derrame pleural em crianças?

A antibioticoterapia empírica inicial deve cobrir os principais patógenos, como Staphylococcus aureus e Streptococcus pneumoniae, sendo a oxacilina uma boa escolha, muitas vezes associada a uma cefalosporina de terceira geração.

Quando a toracocentese ou drenagem pleural é indicada em crianças com pneumonia?

É indicada em derrames pleurais extensos que causam desconforto respiratório, desvio de mediastino, ou quando há suspeita de empiema (líquido purulento, pH baixo, glicose baixa, LDH alto).

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