PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2020
Criança, cinco anos de idade, sexo masculino, foi internada para tratamento de pneumonia comunitária e está em uso de ceftriaxone há 72 horas. Está no terceiro dia de internação e evolui com persistência da febre (39ºC) e piora da dispneia. Ao exame físico, apresenta-se hidratado, com pulsos periféricos normais, tempo de reperfusão capilar igual a dois segundos, frequência cardíaca de 144bpm, pressão arterial 100/60mmHg, FR = 45irpm, tiragens intercostais, SatO₂ 95% em ar ambiente, ausculta com sons respiratórios abolidos em base do hemitórax esquerdo. Restante do exame físico sem alterações. A conduta inicial MAIS ADEQUADA neste momento é:
Pneumonia + piora clínica + ausculta abolida = suspeitar derrame pleural/empiema → USG tórax à beira leito.
A persistência da febre e piora da dispneia em uma criança com pneumonia em tratamento, associada à ausculta pulmonar abolida, sugere fortemente a complicação com derrame pleural ou empiema. A ultrassonografia de tórax à beira do leito é a conduta inicial mais adequada para confirmar e guiar a intervenção.
A pneumonia comunitária é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, e a falha terapêutica é uma complicação que exige investigação imediata. A persistência da febre e piora do quadro respiratório após 48-72 horas de antibioticoterapia adequada, especialmente quando associada a achados como ausculta pulmonar abolida, sugere fortemente o desenvolvimento de uma complicação, como derrame pleural paraneumônico ou empiema. Nesse cenário, a propedêutica com ultrassonografia de tórax à beira do leito é a conduta inicial mais adequada. A USG é um método rápido, seguro, sem radiação e altamente sensível para detectar e caracterizar derrames pleurais, diferenciar líquido de consolidação e guiar procedimentos como a toracocentese. Isso permite um diagnóstico preciso e a tomada de decisão sobre a necessidade de drenagem. Ampliar a cobertura antimicrobiana sem um diagnóstico claro da complicação pode atrasar o tratamento específico. A transferência para UTI pode ser necessária, mas o diagnóstico da causa da piora deve precedê-la, se possível. O manejo precoce do derrame pleural, que pode incluir drenagem torácica, é crucial para evitar a progressão para empiema e suas sequelas, sendo um ponto de atenção fundamental para residentes em pediatria.
Sinais de alerta incluem persistência da febre após 48-72h de antibiótico, piora da dispneia, dor torácica, prostração, e achados focais no exame físico como macicez ou ausculta abolida.
A USG de tórax é rápida, não invasiva, não utiliza radiação e é altamente sensível para detectar e caracterizar derrames pleurais, além de guiar procedimentos como a toracocentese diagnóstica e terapêutica.
A diferenciação é feita pela análise do líquido pleural obtido por toracocentese. O empiema apresenta características como pH baixo (<7,2), glicose baixa (<40 mg/dL), LDH elevado (>1000 U/L) e presença de bactérias ou pus franco.
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