FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2023
Paciente do sexo masculino, 26 anos de idade, previamente hígido, recebeu diagnóstico de Osteossarcoma de alto grau, sem metástases à distância, sendo submetido a amputação transfemoral do membro inferior esquerdo, sem intercorrências. Após a cirurgia, evoluiu de forma insidiosa ao longo de um mês com quadro de tosse seca, dor pleurítica à direita e dispneia, aos esforços, progressiva. Foi identificado em radiografia de tórax um derrame pleural volumoso à direita, ocupando todo o hemitórax, sendo o paciente internado para propedêutica e tratamento. Foi solicitada revisão laboratorial com os seguintes resultados: Com relação ao quadro clínico descrito acima, assinale a alternativa CORRETA.
Derrame pleural unilateral volumoso em paciente oncológico → alta suspeita de etiologia neoplásica (exsudato).
Em pacientes com histórico de câncer, um derrame pleural unilateral e volumoso, especialmente se exsudativo pelos Critérios de Light, deve levantar forte suspeita de etiologia neoplásica, mesmo com citologia oncótica inicialmente negativa. A dor pleurítica pode ser um sintoma associado.
O derrame pleural neoplásico é uma complicação comum em pacientes com câncer, representando um desafio diagnóstico e terapêutico. É frequentemente associado a tumores como pulmão, mama, linfoma e, como no caso, osteossarcoma com metástases. A presença de um derrame volumoso e unilateral em um paciente oncológico deve sempre levantar a forte suspeita de malignidade, impactando diretamente o prognóstico e a qualidade de vida. O diagnóstico baseia-se na análise do líquido pleural. Critérios de Light são fundamentais para classificar o derrame como exsudato, o que é típico da etiologia neoplásica. A citologia oncótica é o padrão-ouro, mas sua sensibilidade pode ser baixa em uma única amostra, exigindo repetições ou biópsia pleural em casos de alta suspeita e citologia negativa. A dor pleurítica pode indicar envolvimento da pleura parietal, enquanto a dispneia é um sintoma comum devido à compressão pulmonar. O tratamento visa aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. Toracocentese de alívio é a conduta inicial, podendo ser seguida por pleurodese química para evitar recorrências, ou colocação de cateter pleural de demora em casos selecionados. O manejo deve ser individualizado, considerando o tipo de câncer, o estágio da doença e o estado geral do paciente, sendo crucial para a formação do residente.
A suspeita de derrame pleural neoplásico é elevada em pacientes com histórico de câncer que desenvolvem derrame pleural unilateral, volumoso e com características de exsudato pelos Critérios de Light. Sintomas como dispneia e dor pleurítica são comuns.
A citologia oncótica é o método diagnóstico mais específico para derrame pleural maligno, mas sua sensibilidade pode ser limitada, especialmente na primeira amostra. Múltiplas coletas podem ser necessárias para aumentar a taxa de detecção.
Além da etiologia neoplásica, deve-se considerar derrame parapneumônico, insuficiência cardíaca (especialmente se o câncer afeta o coração ou há tratamento cardiotóxico), embolia pulmonar e outras causas de exsudato ou transudato.
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