Unimed-Rio - Cooperativa de Trabalho Médico (RJ) — Prova 2022
Escolar, sexo feminino, 6 anos, chega ao pronto atendimento com queixa de tosse persistente e febre há duas semanas. Exame físico: FR: 50 irpm, FC: 125 bpm e murmúrio vesicular diminuído no hemitórax esquerdo. Rx de tórax: extenso derrame pleural. A toracocentese apresentou líquido amarelado e a citologia diferencial demonstrou predomínio de linfócitos (> 80%). O agente etiológico mais provável a ser considerado é:
Derrame pleural infantil + linfocitose >80% + febre/tosse crônica → Tuberculose pleural.
Em crianças, um derrame pleural extenso com predomínio linfocitário (>80%) no líquido pleural, associado a sintomas respiratórios e febre persistentes, é altamente sugestivo de tuberculose pleural. É crucial considerar essa etiologia em áreas endêmicas.
O derrame pleural em crianças é uma condição que exige investigação cuidadosa, e a etiologia varia significativamente com a idade e o contexto epidemiológico. Em escolares, a presença de um derrame pleural extenso, associado a sintomas como tosse persistente e febre há semanas, e com um líquido pleural amarelado e predomínio linfocitário (>80%) na citologia diferencial, levanta uma forte suspeita de tuberculose pleural. A tuberculose, embora muitas vezes associada a adultos, é uma causa importante de doença pulmonar e extrapulmonar em crianças, especialmente em regiões endêmicas. A fisiopatologia da tuberculose pleural envolve uma reação de hipersensibilidade tardia à presença de antígenos micobacterianos na pleura, resultando em um exsudato rico em linfócitos. O diagnóstico pode ser desafiador, pois a baciloscopia do líquido pleural frequentemente é negativa. A biópsia pleural com histopatologia e cultura, ou a dosagem de adenosina deaminase (ADA) no líquido pleural, são ferramentas diagnósticas importantes. No entanto, a alta suspeição clínica e epidemiológica é crucial para iniciar o tratamento empírico. Para o residente, é fundamental reconhecer o padrão de derrame pleural linfocitário em crianças como um sinal de alerta para tuberculose. A não identificação precoce pode levar a complicações e à disseminação da doença. O manejo envolve o tratamento antituberculose padrão, que deve ser iniciado prontamente após a suspeita diagnóstica, mesmo antes da confirmação laboratorial definitiva, para garantir um bom prognóstico e evitar sequelas.
Em crianças, um derrame pleural com predomínio de linfócitos (>80%) na citologia diferencial, aspecto amarelado, e níveis elevados de ADA (adenosina deaminase) são fortemente sugestivos de tuberculose pleural, especialmente em um contexto clínico compatível.
O diagnóstico definitivo da tuberculose pleural é feito pela identificação do Mycobacterium tuberculosis no líquido pleural ou na biópsia pleural, seja por cultura, PCR ou histopatologia (granulomas caseosos). No entanto, o diagnóstico empírico é frequentemente iniciado com base na alta suspeita clínica e laboratorial.
Além da tuberculose, outras causas de derrame pleural linfocitário em crianças incluem infecções virais (como mononucleose), doenças autoimunes, linfoma, e, menos comumente, outras infecções fúngicas ou parasitárias. Contudo, a tuberculose é a mais comum em muitos contextos.
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