Derrame Pleural Exsudativo: Quando Indicar Biópsia de Pleura

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 62 anos refere tosse, dor torácica à direita e dispnéia há 25 dias. AP: tabagista (20 anos-maço). Raio X de tórax: derrame pleural moderado à direita. Toracocentese diagnóstica: líquido amarelo citrino, proteína 4,8 g/dL, DHL 950 UI/L, ADA 12 U/L, 25% de neutrófilos, 65% de linfócitos, 10% monócitos, citopatológico negativo. Aos exames laboratoriais séricos: proteína 4,6 g/dL, DHL 540 UI/L. A conduta correta deve ser:

Alternativas

  1. A) pleurodese.
  2. B) biópsia de pleura.
  3. C) drenagem pleural fechada.
  4. D) ressonância nuclear magnética.

Pérola Clínica

Derrame pleural exsudativo com ADA baixo e citopatológico negativo, mas alta suspeita de malignidade/tuberculose → Biópsia de pleura.

Resumo-Chave

Em um derrame pleural exsudativo com ADA baixo, citopatológico negativo e alta suspeita clínica (tabagismo, sintomas crônicos), a biópsia de pleura é a próxima etapa diagnóstica para investigar causas como neoplasias ou tuberculose, que podem não ser detectadas na toracocentese inicial.

Contexto Educacional

O derrame pleural é o acúmulo anormal de líquido no espaço pleural, sendo um achado comum em diversas condições clínicas. A toracocentese diagnóstica é o procedimento inicial para análise do líquido pleural, permitindo a diferenciação entre transudato e exsudato pelos Critérios de Light. No caso apresentado, os valores de proteína e DHL no líquido pleural, comparados aos séricos, indicam um derrame pleural exsudativo (proteína pleural 4,8g/dL > 4,6g/dL sérica, DHL pleural 950 UI/L > 540 UI/L sérica, além da relação DHL pleural/sérica > 0,6). A presença de linfocitose (65% linfócitos) sugere etiologias como tuberculose ou neoplasia. No entanto, o ADA de 12 U/L é baixo, o que torna a tuberculose menos provável, mas não a exclui totalmente, e o citopatológico negativo não afasta malignidade, pois a sensibilidade pode ser limitada. Diante de um paciente tabagista com sintomas crônicos e um derrame exsudativo linfocítico com toracocentese inconclusiva para causas comuns, a próxima etapa diagnóstica é a biópsia de pleura. Este procedimento permite a análise histopatológica do tecido pleural, aumentando significativamente a chance de diagnóstico de neoplasias ou tuberculose, que são causas importantes de derrame pleural exsudativo.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de Light para classificar um derrame pleural?

Os critérios de Light classificam o derrame pleural como exsudato se a relação proteína pleural/sérica > 0,5, DHL pleural/sérica > 0,6, ou DHL pleural > 2/3 do limite superior do DHL sérico.

Quando se deve considerar a biópsia de pleura em um derrame pleural?

A biópsia de pleura deve ser considerada em derrames pleurais exsudativos de causa indeterminada, especialmente quando há suspeita de malignidade ou tuberculose e a toracocentese inicial é inconclusiva.

Qual o papel do ADA no diagnóstico do derrame pleural?

O ADA (adenosina deaminase) é um marcador útil para o diagnóstico de derrame pleural tuberculoso, com valores elevados (>40 U/L) sendo altamente sugestivos, embora valores baixos não excluam totalmente a tuberculose.

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