PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
Mulher de 28 anos queixa-se de dispneia aos esforços há três semanas. Apresentou picos febris de até 37,9ºC, sudorese profusa durante as noites e perda de 3kg neste período. Nega ortopneia, dispneia paroxística noturna ou edema periférico. A tomografia do tórax revelou derrame pleural moderado à esquerda e linfonodomegalias mediastinais; o parênquima pulmonar não apresenta anormalidades, a área cardíaca está preservada e não há derrame pericárdico ou alteração do pericárdio. Realizou-se toracocentese diagnóstica. EXAMES DE LABORATÓRIO: Material - sangue: LDH 168U/L; proteínas totais 7,2g/dl. Material - líquido pleural: aspecto límpido. LDH 60U/L; proteínas totais 2,4g/dl; células 134/mm³; hemácias ausentes; células atípicas: ausentes. Dentre as seguintes alternativas, assinale aquela que apresenta o diagnóstico diferencial MAIS PROVÁVEL nesse caso:
Derrame pleural exsudativo + linfonodomegalia mediastinal + sintomas B em jovem → Linfoma.
O quadro clínico de dispneia, febre, sudorese noturna e perda de peso (sintomas B), associado a derrame pleural e linfonodomegalias mediastinais em uma jovem, sugere fortemente um processo linfoproliferativo. Embora o líquido pleural seja um exsudato (critérios de Light), a ausência de células atípicas não exclui linfoma, que pode ter derrame pleural com citologia negativa.
O derrame pleural é um acúmulo anormal de líquido no espaço pleural, que pode ser classificado como transudato ou exsudato pelos Critérios de Light. A distinção é crucial para o diagnóstico diferencial, sendo os exsudatos associados a processos inflamatórios, infecciosos ou neoplásicos. A epidemiologia varia conforme a causa subjacente, mas em pacientes jovens com sintomas sistêmicos, a investigação de malignidade é prioritária. A fisiopatologia do derrame pleural exsudativo envolve o aumento da permeabilidade capilar pleural, diminuição da drenagem linfática ou ambos. No caso apresentado, a paciente tem sintomas B (febre, sudorese noturna, perda de peso) e linfonodomegalias mediastinais, que são achados clássicos de linfoma. Embora o líquido pleural seja um exsudato, a ausência de células atípicas não exclui linfoma, pois a citologia pode ser negativa em até 50% dos casos. A área cardíaca preservada e a ausência de derrame pericárdico afastam causas cardíacas primárias. O tratamento do derrame pleural depende da etiologia. No contexto de suspeita de linfoma, a biópsia de linfonodo ou pleural é frequentemente necessária para confirmação diagnóstica. O prognóstico varia amplamente com o tipo e estágio do linfoma. Para residentes, é vital integrar os achados clínicos, radiológicos e laboratoriais do líquido pleural para formular um diagnóstico diferencial preciso e guiar a investigação subsequente.
Os critérios de Light classificam o derrame pleural como exsudato se pelo menos um dos seguintes for verdadeiro: relação proteína líquido/soro > 0,5; relação LDH líquido/soro > 0,6; ou LDH líquido > 2/3 do limite superior do LDH sérico normal.
A presença de sintomas B (febre inexplicada, sudorese noturna profusa, perda de peso >10% em 6 meses) associada a linfonodomegalias e derrame pleural deve levantar forte suspeita de linfoma.
A tuberculose pleural também causa derrame exsudativo, febre, perda de peso e pode ter linfonodomegalias. No entanto, a ausência de hemácias e a celularidade baixa no líquido pleural da questão tornam o linfoma mais provável, embora a tuberculose deva ser considerada em áreas endêmicas.
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