CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2025
Paciente idoso, 75 anos, sequelado de AVC, institucionalizado, é trazido para atendimento médico por cuidadora devido a quadro de dispnéia progressiva e tosse há vários dias. Não sabe referir adequadamente sobre histórico de febre. Ao exame físico, o paciente se encontra emagrecido, algo dispneico (FR: 24irpm), afebril, FC: 68bpm, P.A. 110x70nnHg e edema de membros inferiores ++/4. A ausculta torácica, observamos estertoração em todo o hemitórax esquerdo, com murmúrio vesicular abolido em base e terço médio. Ausculta do hemitórax direito sem alterações. A ausculta cardíaca evidenciava ritmo em galope e bulhas hipofonéticas. Você solicitou uma radiografia de tórax que evidenciou derrame pleural de volume moderado à esquerda, condensação parahilar no pulmão esquerdo e aumento da sombra cardíaca. Sobre a conduta frente a este derrame pleural, assinale a alternativa INCORRETA:
Derrame pleural complexo/empiema → drenos de baixo calibre são preferíveis para menor trauma e eficácia similar.
Em derrames pleurais exsudativos complexos, como empiemas, a tendência atual é preferir drenos de baixo calibre (pigtail) guiados por imagem. Eles são menos invasivos, causam menos dor e têm eficácia comparável aos drenos calibrosos, com menor risco de complicações.
O derrame pleural é uma condição comum, especialmente em pacientes idosos com múltiplas comorbidades, como o caso apresentado. A etiologia pode ser transudativa ou exsudativa, sendo a diferenciação crucial para o manejo. Transudatos são geralmente causados por desequilíbrios de pressão hidrostática ou oncótica (ex: insuficiência cardíaca, cirrose), enquanto exsudatos resultam de inflamação da pleura ou aumento da permeabilidade capilar (ex: pneumonia, neoplasia, tuberculose). A avaliação inicial inclui exame físico, radiografia de tórax e, frequentemente, toracocentese diagnóstica. O diagnóstico diferencial é guiado pelos Critérios de Light, que utilizam a relação de proteínas e DHL no líquido pleural e sérico para classificar o derrame. Um derrame transudativo por insuficiência cardíaca, por exemplo, apresenta proteínas < 2,9 g/dL e relação DHL pleural/sérico < 0,5. Já um exsudato, como em um empiema, terá valores elevados e, se complicado, pH baixo e glicose reduzida. A ultrassonografia torácica é uma ferramenta valiosa para confirmar o derrame, avaliar suas características (septações, debris) e guiar procedimentos como a toracocentese, minimizando riscos. A conduta para o derrame pleural depende da etiologia e das características do líquido. Em casos de empiema ou derrame parapneumônico complicado, a drenagem torácica é fundamental. A escolha do calibre do dreno tem evoluído; atualmente, drenos de baixo calibre (pigtail) são preferidos para empiemas e derrames complexos, pois são menos invasivos, causam menos dor e demonstram eficácia comparável aos drenos calibrosos, especialmente quando guiados por imagem. A corticoterapia não é uma conduta inicial para o manejo do derrame pleural neste contexto.
Em idosos, os principais diferenciais incluem insuficiência cardíaca congestiva (transudato), pneumonia com derrame parapneumônico/empiema (exsudato), neoplasias e embolia pulmonar.
A drenagem torácica é indicada para derrames pleurais exsudativos sintomáticos, empiemas, derrames parapneumônicos complicados (pH < 7,2, glicose < 60 mg/dL, Gram positivo) e hemotórax.
A ultrassonografia confirma a presença do derrame, avalia suas características (septações, debris), quantifica o volume, e guia a toracocentese ou drenagem, aumentando a segurança e reduzindo o risco de pneumotórax iatrogênico.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo