Derrame Pleural: Quando e Por Que Realizar a Toracocentese

SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2020

Enunciado

Paciente do sexo feminino, de 60 anos, trabalhadora rural, tabagista desde os 16 anos (seis a oito cigarros de palha por dia), apresentando queixa de tosse não produtiva e dispneia progressiva nos últimos seis meses, atualmente para mínimos esforços. Ao exame físico: regular estado geral, taquipneica, afebril, anictérica, acianótica. FR: 28 IRM FC: 120 BPM. Murmúrio vesicular reduzido em hemitórax direito, submacicez à percussão nos 2/3 inferiores do hemitórax esquerdo. Algo diminuído em base direita. Sat. 89% em ar ambiente. Discreto edema em membros inferiores, com sinal do cacifo positivo 1+/4+. A tomografia computadorizada de tórax mostra as seguintes imagens: Com base nas informações apresentadas, qual é o próximo passo no atendimento dessa paciente?

Alternativas

  1. A) Solicitar tomografia computadorizada de tórax de alta resolução, com contraste, paramelhor avaliação do parênquima pulmonar e do mediastino.
  2. B) Solicitar PET SCAN para diagnóstico e estadiamento de provável neoplasia pulmonar.
  3. C) Toracocentese para alívio dos sintomas e para diagnóstico.
  4. D) Antibioticoterapia e drenagem torácica.

Pérola Clínica

Paciente com dispneia, sinais de derrame pleural e hipoxemia → Toracocentese diagnóstica e terapêutica.

Resumo-Chave

Diante de um paciente com dispneia progressiva, histórico de tabagismo, achados de exame físico compatíveis com derrame pleural (murmúrio vesicular reduzido, submacicez) e hipoxemia, a toracocentese é o próximo passo essencial. Ela permite tanto o alívio sintomático pela drenagem do líquido quanto a análise diagnóstica do fluido pleural, que é crucial para determinar a etiologia (exsudato vs. transudato, citologia, bioquímica, microbiologia) e guiar o tratamento definitivo.

Contexto Educacional

O derrame pleural é o acúmulo anormal de líquido no espaço pleural, uma condição comum na prática clínica que pode ser causada por diversas etiologias, desde condições benignas até malignidades. A dispneia é o sintoma mais frequente, e sua gravidade está relacionada ao volume do derrame e à velocidade de acúmulo. A investigação diagnóstica é fundamental para determinar a causa subjacente e instituir o tratamento adequado, impactando diretamente o prognóstico do paciente. O exame físico pulmonar é essencial para a suspeita de derrame pleural, com achados clássicos como macicez à percussão, diminuição ou abolição do murmúrio vesicular e da expansibilidade torácica. A radiografia de tórax e a tomografia computadorizada confirmam a presença do líquido e podem fornecer pistas etiológicas. No entanto, a toracocentese diagnóstica e, muitas vezes, terapêutica, é o próximo passo crucial. A análise do líquido pleural permite diferenciar entre transudatos e exsudatos (critérios de Light), além de identificar células malignas, microrganismos ou marcadores bioquímicos específicos. Para residentes, é vital saber indicar e realizar a toracocentese de forma segura, compreendendo suas contraindicações e potenciais complicações. A decisão de realizar o procedimento deve considerar o impacto na dispneia do paciente e a necessidade de um diagnóstico etiológico. Em casos de derrame pleural de etiologia desconhecida, especialmente em pacientes com fatores de risco como tabagismo, a investigação para neoplasias (pulmonar ou metastática) é prioritária, e a análise citológica do líquido pleural é um passo fundamental nesse processo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados no exame físico que sugerem derrame pleural?

Os principais achados incluem murmúrio vesicular reduzido ou abolido, macicez ou submacicez à percussão, diminuição da expansibilidade torácica e frêmito toracovocal reduzido ou abolido sobre a área do derrame.

Qual a importância da toracocentese no manejo do derrame pleural?

A toracocentese é crucial por dois motivos: terapêutico, para aliviar a dispneia causada pela compressão pulmonar, e diagnóstico, para coletar líquido pleural e analisá-lo (citologia, bioquímica, microbiologia), o que ajuda a determinar a causa do derrame (transudato ou exsudato) e guiar o tratamento específico.

Quais são as principais causas de derrame pleural?

As causas de derrame pleural podem ser divididas em transudatos (geralmente por desequilíbrio de pressões, como insuficiência cardíaca, cirrose, síndrome nefrótica) e exsudatos (por inflamação ou malignidade, como pneumonia, tuberculose, câncer, embolia pulmonar, doenças autoimunes).

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