Derrame Pleural Complicado: Diagnóstico e Manejo

Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 70 anos de idade, internada há vários dias devido a complicação de cirurgia abdominal, evoluiu com quadro infeccioso de foco pulmonar e necessidade de antibioticoterapia. Após 6 dias de tratamento, apresentou queixa de cansaço e teve piora dos parâmetros infecciosos laboratoriais. Ao exame físico, o murmúrio vesicular encontrava-se abolido em base direita. Foi solicitada radiografia de tórax, que evidenciou derrame pleural direito, sendo optado por indicar toracocentese. A análise do líquido trazia: pH 7,1; glicose 45 mg/dL; DHL 1100 U/L. Considerando o caso acima, pode-se afirmar que:

Alternativas

  1. A) Trata-se de derrame pleural complicado e a conduta é drenagem de tórax com sistema fechado.
  2. B) O derrame tem características de exsudato não complicado, e o tratamento clínico com antibiótico e fisioterapia é o mais indicado.
  3. C) Trata-se de transudato e a paciente provavelmente encontra-se descompensada do ponto de vista cardiológico.
  4. D) Deve ser realizada nova toracocentese de alívio.

Pérola Clínica

Derrame pleural complicado: pH < 7.2, glicose < 60 mg/dL, DHL > 3x limite sérico → drenagem torácica.

Resumo-Chave

A análise do líquido pleural com pH baixo, glicose baixa e DHL elevado indica um derrame pleural complicado, que requer drenagem torácica para evitar complicações como o empiema e a formação de loculacões, além da antibioticoterapia adequada.

Contexto Educacional

O derrame pleural é o acúmulo anormal de líquido no espaço pleural. Os derrames parapneumônicos são uma complicação comum de pneumonias bacterianas. A diferenciação entre derrame não complicado, complicado e empiema é crucial para o manejo e prognóstico, pois a conduta terapêutica difere significativamente. A análise do líquido pleural é fundamental para essa diferenciação. Critérios como pH < 7,20, glicose < 60 mg/dL e DHL > 3x o limite superior sérico indicam um derrame complicado. A fisiopatologia envolve a inflamação e infecção do espaço pleural, levando à diminuição do pH e glicose devido ao metabolismo bacteriano e celular, e ao aumento do DHL pela lise celular e inflamação. O tratamento do derrame pleural complicado e do empiema é a drenagem torácica, associada à antibioticoterapia sistêmica. A falha na drenagem pode levar à formação de loculacões, fibrose pleural e encarceramento pulmonar, necessitando de procedimentos mais invasivos como a videotoracoscopia ou decorticação para restaurar a função pulmonar.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para definir um derrame pleural complicado?

Um derrame pleural é considerado complicado quando o pH do líquido pleural é < 7,20, a glicose é < 60 mg/dL, ou o DHL é > 3 vezes o limite superior do DHL sérico. A presença de pus franco também o caracteriza como empiema.

Qual a conduta inicial em um derrame pleural complicado?

A conduta inicial para um derrame pleural complicado é a drenagem torácica com sistema fechado, além da antibioticoterapia adequada para controlar a infecção subjacente e prevenir a progressão para empiema ou fibrose.

Como diferenciar um derrame pleural complicado de um empiema?

O empiema é uma forma de derrame pleural complicado caracterizada pela presença de pus franco no espaço pleural. Todos os empiemas são derrames complicados, mas nem todo derrame complicado é um empiema (pode ser parapneumônico complicado sem pus franco).

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