Derrame Pleural Complicado: Diagnóstico e Manejo

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2024

Enunciado

Um paciente com febre, dispneia, tosse produtiva e escarro purulento foi internado na enfermaria de clínica médica. Após dois dias de ATB EV, manteve provas inflamatórias elevadas, febre e uma leucocitose que não melhora. Manteve boa saturação em ar ambiente e apresenta sinais vitais normais. Realizou a USG de tórax em transição toracoabdominal mostrada a seguir.Com base nessa situação hipotética e na imagem acima, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Deve‑se escalonar ATB para tazocin, pois a USG pulmonar está normal.
  2. B) Provavelmente, a causa da ausência de melhora é o derrame complicado, logo deve ser solicitada uma avaliação da cirurgia torácica.
  3. C) A imagem é característica de transudato, logo deve ser avaliada uma descompensação cardíaca secundária ao quadro infeccioso.
  4. D) Espera‑se que o frêmito toracovocal esteja aumentado na região de onde foi obtida a imagem.
  5. E) Deve ser solicitada uma TC de abdômen com contraste, pela suspeita de herniação local.

Pérola Clínica

Pneumonia + falha ATB + USG derrame complexo → derrame pleural complicado/empiema → avaliação cirurgia torácica.

Resumo-Chave

A persistência de febre e marcadores inflamatórios elevados após 48-72h de antibioticoterapia adequada em um paciente com pneumonia deve levantar a suspeita de complicações, como o derrame pleural complicado ou empiema. A ultrassonografia pulmonar é uma ferramenta excelente para caracterizar derrames pleurais e guiar a conduta, indicando a necessidade de drenagem.

Contexto Educacional

O derrame pleural complicado é uma complicação comum de pneumonias bacterianas, caracterizado pela infecção do espaço pleural. Sua incidência varia, mas o reconhecimento precoce é crucial para evitar morbidade e mortalidade significativas. É um tema frequentemente abordado em provas de residência, exigindo conhecimento sobre diagnóstico e manejo. A suspeita surge em pacientes com pneumonia que não respondem à antibioticoterapia inicial, mantendo febre e marcadores inflamatórios elevados. A ultrassonografia pulmonar é fundamental para caracterizar o derrame, identificando septações ou espessamento pleural, e para guiar a toracocentese diagnóstica. A análise do líquido pleural (pH < 7,20, glicose < 40 mg/dL, LDH > 1000 U/L, Gram/cultura positiva) confirma o empiema. O tratamento envolve antibioticoterapia sistêmica e drenagem do espaço pleural. A drenagem pode ser por toracocentese de repetição, dreno torácico ou, em casos mais complexos com septações, videotoracoscopia ou toracotomia. A avaliação da cirurgia torácica é essencial para definir a melhor abordagem e garantir a resolução do quadro.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de um derrame pleural complicado?

Os sinais de um derrame pleural complicado incluem persistência de febre, leucocitose e elevação de marcadores inflamatórios (PCR, VHS) após 48-72h de antibioticoterapia para pneumonia. Na ultrassonografia, pode-se observar septações, espessamento pleural ou debris no líquido.

Quando a ultrassonografia pulmonar é indicada para derrame pleural?

A ultrassonografia pulmonar é indicada para caracterizar derrames pleurais, diferenciar de outras causas de opacificação pulmonar, identificar septações, guiar toracocentese diagnóstica e terapêutica, e monitorar a evolução do derrame.

Qual a conduta inicial para um derrame pleural complicado?

A conduta inicial para um derrame pleural complicado envolve antibioticoterapia sistêmica adequada e drenagem do espaço pleural. A escolha do método de drenagem (toracocentese, dreno torácico, videotoracoscopia) depende da complexidade do derrame e deve ser avaliada pela cirurgia torácica.

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