FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2026
Menina de 07 anos de idade previamente hígida, é admitida no hospital com febre, tosse, queda do estado geral, inapetência e dor abdominal de início há três dias. À radiografia de tórax notou-se área de opacidade em terço médio-inferior esquerdo, com obliteração do seio costofrênico esquerdo e sinal do menisco. A propedêutica pulmonar esperada ao exame físico dessa criança é:
Derrame Pleural = ↓ Expansibilidade + ↓ FTV + ↓ Murmúrio Vesicular + Macicez.
O líquido no espaço pleural atua como um isolante acústico, reduzindo a transmissão das vibrações das cordas vocais (FTV) e a percepção da entrada de ar (MV), além de restringir a expansão torácica.
O diagnóstico de derrame pleural em crianças frequentemente ocorre como complicação de pneumonias bacterianas (derrame parapneumônico). A tríade clássica ao exame físico — abolição ou diminuição do murmúrio vesicular, macicez à percussão e redução do frêmito toracovocal — é fundamental para a suspeição clínica antes mesmo da confirmação radiológica. A dor abdominal relatada na questão é um sintoma comum em processos basais pulmonares na pediatria, devido à irritação diafragmática e inervação compartilhada. A interpretação correta da propedêutica permite ao médico diferenciar se a opacidade vista no raio-X é parênquima denso (consolidação) ou líquido no espaço pleural. No caso do derrame, a expansibilidade do hemitórax afetado está reduzida devido à dor pleurítica e ao volume de líquido que impede a insuflação pulmonar completa. O manejo dependerá do tamanho do derrame e do estado clínico da criança, variando de antibioticoterapia isolada à drenagem de tórax ou videotoracoscopia.
O frêmito toracovocal é a vibração das cordas vocais transmitida através da árvore brônquica e do parênquima pulmonar até a parede torácica. No derrame pleural, a presença de líquido no espaço entre a pleura visceral e a parietal atua como uma barreira física que absorve e dissipa essas vibrações antes que cheguem à mão do examinador. Diferente da consolidação pulmonar (onde o tecido sólido transmite melhor a vibração), o líquido extracelular 'abafa' o som, resultando em FTV diminuído ou abolido.
O sinal do menisco é a imagem radiológica característica de um derrame pleural livre. Devido à pressão negativa do espaço pleural e à tensão superficial do líquido, este tende a subir pelas laterais da cavidade, criando uma linha curva com concavidade superior. Sua presença confirma o acúmulo de líquido e ajuda a diferenciá-lo de outras opacidades, como atelectasias ou massas, que não respeitam essa conformação gravitacional e física.
Na pneumonia com consolidação simples, o parênquima está preenchido por exsudato, o que aumenta a transmissão sonora, gerando FTV aumentado e, por vezes, sopro tubário. No derrame pleural, o líquido está fora do pulmão, no espaço pleural, o que isola o som, gerando FTV diminuído e murmúrio vesicular (MV) diminuído ou abolido. Ambos apresentam macicez à percussão e redução da expansibilidade.
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