Derrame Pleural Bilateral: Conduta e Toracocentese

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2021

Enunciado

Chega uma mulher com quadro de taquipneia importante, associada à tosse seca, que aumenta durante exercício. Na radiografia de tórax, é visto um derrame pleural bilateral maior à esquerda, ocupando 2/3 do hemitórax esquerdo. Nesse caso, a conduta esperada do médico plantonista é

Alternativas

  1. A) drenagem de tórax em selo d'água bilateral para melhor conforto da paciente.
  2. B) toracocentese de alívio e diagnóstica para diferenciar entre exsudato e transudato.
  3. C) entubação orotraqueal para manter boa FIO2 em ventilação mecânica
  4. D) toracostomia à esquerda para drenagem de empiema pleural.
  5. E) biopsia pleural.

Pérola Clínica

Derrame pleural significativo + dispneia → toracocentese diagnóstica e de alívio para diferenciar exsudato/transudato.

Resumo-Chave

Um derrame pleural bilateral, especialmente se volumoso e causando taquipneia, requer toracocentese. Este procedimento tem dupla finalidade: alívio sintomático da dispneia pela remoção do líquido e diagnóstico etiológico através da análise do líquido pleural (diferenciar exsudato de transudato pelos critérios de Light, além de citologia, bioquímica e microbiologia).

Contexto Educacional

O derrame pleural é o acúmulo anormal de líquido no espaço pleural, e sua apresentação clínica pode variar desde assintomática até dispneia grave, dependendo do volume e da velocidade de acúmulo. A taquipneia e tosse seca, especialmente em um contexto de derrame pleural bilateral volumoso, indicam comprometimento respiratório significativo e a necessidade de intervenção imediata. A radiografia de tórax é a ferramenta inicial para identificar e quantificar o derrame. Diante de um derrame pleural que causa sintomas respiratórios importantes, como a taquipneia descrita, a toracocentese é a conduta de escolha. Este procedimento tem uma dupla finalidade: terapêutica, ao aliviar a dispneia pela remoção do excesso de líquido, e diagnóstica, ao permitir a análise do líquido pleural. A análise do líquido é crucial para diferenciar entre um transudato e um exsudato, o que direciona a investigação etiológica. A diferenciação entre exsudato e transudato é feita pelos Critérios de Light, que avaliam os níveis de proteína e LDH no líquido pleural e no soro. Transudatos são geralmente causados por desequilíbrios de pressão hidrostática ou oncótica (ex: insuficiência cardíaca, cirrose), enquanto exsudatos resultam de inflamação ou lesão da pleura (ex: pneumonia, malignidade, tuberculose). A toracocentese, portanto, é um passo diagnóstico e terapêutico fundamental no manejo do derrame pleural.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de Light para diferenciar exsudato de transudato no líquido pleural?

Os critérios de Light incluem: relação proteína pleural/sérica > 0,5; relação LDH pleural/sérica > 0,6; e LDH pleural > 2/3 do limite superior do LDH sérico normal. Se qualquer um for positivo, é exsudato.

Em que situações a drenagem de tórax em selo d'água seria a conduta inicial?

A drenagem de tórax em selo d'água é indicada para derrames pleurais complicados, como empiema, hemotórax, pneumotórax hipertensivo ou derrames parapneumônicos complicados, onde há pus, sangue ou ar no espaço pleural.

Quais são as principais causas de derrame pleural bilateral?

As causas mais comuns de derrame pleural bilateral são insuficiência cardíaca congestiva, cirrose hepática, síndrome nefrótica, hipoalbuminemia e doenças sistêmicas como lúpus eritematoso sistêmico ou artrite reumatoide.

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