Derrame Pleural Pediátrico: Análise do Líquido

UNIFESO/HCTCO - Hospital das Clínicas de Teresópolis Costantino Ottaviano (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Uma criança de 3 anos é admitida na enfermaria de pediatria com sintomas compatíveis de pneumonia com derrame pleural. De acordo com os relatos dos pais, a criança apresenta febre alta, tosse persistente e produtiva, dificuldade respiratória, falta de apetite e irritabilidade. Ao examinar a criança, o médico percebe que ela está respirando com maior esforço, apresenta batimentos das asas do nariz, cianose perioral e diminuição dos sons respiratórios em um dos lado do tórax. Inicia tratamento empírico e opta-se por drenagem do líquido pleural pois observado em USG de tórax grande quantidade de liquido livre. A residente de plantão solicita analise do liquido pleural. Pergunta-se quais os principais marcadores devem ser analisados?

Alternativas

  1. A) PH, LDL, glicose, proteínas, Gram, BAAR, hemácias.
  2. B) PH, LDH, glicose, proteínas, Gram, BAAR.
  3. C) Sódio, glicose, proteínas, celularidade, Gram.
  4. D) Potássio, sódio, proteínas, celularidade, hemácias.
  5. E) Celularidade, hemácias, proteínas totais e frações.

Pérola Clínica

Derrame pleural infeccioso → análise líquido pleural: pH ↓, glicose ↓, LDH ↑, proteínas ↑, Gram/cultura.

Resumo-Chave

Na suspeita de derrame pleural infeccioso (empiema), a análise do líquido pleural é crucial e deve incluir pH, LDH, glicose, proteínas, coloração de Gram e cultura (incluindo BAAR se houver suspeita de tuberculose), para diferenciar exsudato de transudato e identificar o agente etiológico.

Contexto Educacional

O derrame pleural em crianças, frequentemente associado à pneumonia, é uma complicação séria que exige diagnóstico e manejo precisos. A presença de febre alta, tosse produtiva, dificuldade respiratória e sinais de desconforto respiratório, juntamente com a diminuição dos sons respiratórios em um hemitórax, são indicativos de derrame pleural, que pode evoluir para empiema (líquido purulento). A análise do líquido pleural obtido por toracocentese ou drenagem é fundamental para determinar a natureza do derrame (transudato vs. exsudato) e identificar o agente etiológico. Os principais marcadores a serem analisados incluem: pH (baixo no empiema), LDH (elevado no empiema), glicose (baixa no empiema), proteínas (elevadas no exsudato), coloração de Gram e cultura para bactérias (para identificar o agente infeccioso). A pesquisa de BAAR (Bacilo Álcool-Ácido Resistente) e cultura para micobactérias é crucial em regiões de alta prevalência de tuberculose ou em casos com suspeita clínica. A diferenciação entre transudato e exsudato é feita pelos Critérios de Light. Um pH <7,20 e glicose <60 mg/dL no líquido pleural são fortes indicadores de empiema, que geralmente requer drenagem e antibioticoterapia prolongada. A identificação precoce e o tratamento adequado são essenciais para prevenir complicações como fibrose pleural e insuficiência respiratória crônica.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de Light para diferenciar exsudato de transudato no líquido pleural?

Os critérios de Light incluem: relação proteína pleural/sérica >0,5; relação LDH pleural/sérica >0,6; e LDH pleural >2/3 do limite superior do LDH sérico normal.

Por que o pH e a glicose são importantes na análise do líquido pleural em casos de empiema?

Em casos de empiema (derrame pleural infeccioso), o pH do líquido pleural geralmente está baixo (<7,20) e a glicose também está diminuída (<60 mg/dL), devido ao metabolismo bacteriano e à inflamação.

Quando se deve suspeitar de tuberculose no derrame pleural e solicitar BAAR?

Deve-se suspeitar de tuberculose em pacientes com história de contato, imunocomprometimento, ou em áreas de alta prevalência, especialmente se o derrame for linfocítico e sem resposta ao tratamento antibiótico usual; nesses casos, o BAAR e a cultura para micobactérias são indicados.

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