Derrame Pleural: Sinais, Diagnóstico e Toracocentese

UNIGRANRIO - Universidade do Grande Rio (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Paciente de 74 anos, sexo masculino, com longo histórico de tabagismo. Procurou atendimento por dispneia progressiva aos esforços, com evolução de 3 semanas, tosse não produtiva e anorexia. Nega febre e outros sintomas. Ao exame físico, sinais vitais normais, saturação de oxigênio ao ar ambiente normal bem como a pressão venosa jugular. Ao exame cardíaco, bulhas hipofonéticas, sem outras anormalidades. Ausência de linfadenomegalias e apresenta traquéia na linha média. Em hemitórax esquerdo, dor à percussão, murmúrio vesicular diminuído e ausência de transmissão da voz. O exame do hemitórax direito está normal. A sua principal suspeita diagnóstica foi confirmada pelo RX de tórax. Qual será sua conduta inicial?

Alternativas

  1. A) Antibióticos intravenosos.
  2. B) Toracocentese. 
  3. C) Broncoscopia.
  4. D) Terapia broncodilatadora.

Pérola Clínica

Macicez à percussão, murmúrio vesicular diminuído e ausência de FTV em hemitórax → Derrame pleural = Toracocentese diagnóstica.

Resumo-Chave

O exame físico do paciente, com macicez à percussão, murmúrio vesicular diminuído e ausência de transmissão da voz no hemitórax esquerdo, é altamente sugestivo de derrame pleural. Em um paciente idoso, tabagista, com sintomas sistêmicos como dispneia progressiva e anorexia, a principal suspeita é de derrame pleural maligno, o que exige toracocentese diagnóstica para análise do líquido pleural.

Contexto Educacional

O derrame pleural é o acúmulo anormal de líquido no espaço pleural, uma condição comum com diversas etiologias. Em pacientes idosos com histórico de tabagismo e sintomas sistêmicos como dispneia progressiva e anorexia, a suspeita de malignidade, como câncer de pulmão com derrame pleural metastático, é alta. A epidemiologia mostra que o tabagismo é o principal fator de risco para câncer de pulmão, e o derrame pleural maligno é uma manifestação frequente. O diagnóstico inicial é clínico, baseado nos achados do exame físico: macicez à percussão, murmúrio vesicular diminuído e ausência de transmissão da voz no hemitórax afetado. O raio-X de tórax confirma a presença do derrame. A fisiopatologia do derrame maligno envolve o aumento da permeabilidade capilar pleural, obstrução linfática ou invasão direta da pleura por células tumorais. A conduta inicial mais apropriada é a toracocentese diagnóstica. Este procedimento permite a análise do líquido pleural (citologia, bioquímica, microbiologia), essencial para determinar a etiologia do derrame e guiar o tratamento. A toracocentese não é apenas diagnóstica, mas também terapêutica, aliviando a dispneia. Outras condutas como antibióticos ou broncodilatadores seriam inadequadas sem um diagnóstico etiológico claro.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clássicos no exame físico que sugerem derrame pleural?

Os achados clássicos incluem macicez à percussão sobre a área do derrame, murmúrio vesicular diminuído ou ausente, diminuição da expansibilidade torácica, e ausência ou diminuição do frêmito toracovocal (FTV) na região afetada. A traqueia pode estar desviada em derrames volumosos.

Quando a toracocentese é indicada em um paciente com derrame pleural?

A toracocentese diagnóstica é indicada para a maioria dos derrames pleurais de causa desconhecida, especialmente se forem novos, unilaterais ou se houver suspeita de malignidade, infecção ou outras causas específicas. É crucial para determinar a etiologia e guiar o tratamento.

Quais são as principais causas de derrame pleural em pacientes idosos tabagistas?

Em pacientes idosos tabagistas, as principais causas de derrame pleural incluem malignidades (especialmente câncer de pulmão, mesotelioma, metástases), insuficiência cardíaca congestiva, pneumonia e embolia pulmonar. A história de tabagismo aumenta significativamente o risco de câncer de pulmão.

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