UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2015
A causa mais comum de derrame pericárdico crônico é a:
Derrame pericárdico crônico em regiões endêmicas → Tuberculose (pericardite tuberculosa) é a causa mais comum.
Em regiões com alta prevalência de tuberculose, a pericardite tuberculosa é a causa mais comum de derrame pericárdico crônico e pericardite constritiva. É uma forma de tuberculose extrapulmonar que pode levar a complicações graves se não tratada.
O derrame pericárdico crônico é definido como a presença de líquido no espaço pericárdico por mais de 3 meses. Suas causas são diversas, incluindo doenças infecciosas, inflamatórias, neoplásicas, metabólicas e iatrogênicas. A identificação da etiologia é crucial para o manejo adequado e para prevenir complicações graves como o tamponamento cardíaco ou a pericardite constritiva. Em muitas partes do mundo, especialmente em países em desenvolvimento e regiões com alta prevalência de tuberculose, a pericardite tuberculosa é a causa mais comum de derrame pericárdico crônico e de pericardite constritiva. Esta condição é uma manifestação extrapulmonar da tuberculose e pode ser fatal se não for diagnosticada e tratada precocemente. A infecção leva a uma resposta inflamatória granulomatosa no pericárdio, com acúmulo de exsudato e, eventualmente, fibrose e calcificação. O diagnóstico da pericardite tuberculosa pode ser complexo, exigindo uma combinação de achados clínicos, radiológicos e laboratoriais. A análise do líquido pericárdico, com dosagem de ADA e cultura para Mycobacterium tuberculosis, é fundamental. O tratamento consiste em terapia antituberculosa combinada, geralmente por um período prolongado, e o uso de corticosteroides pode ser considerado para reduzir a inflamação e o risco de constrição. Residentes devem estar cientes da alta prevalência da TB pericárdica em contextos específicos.
A tuberculose causa derrame pericárdico por disseminação linfática ou hematogênica do Mycobacterium tuberculosis para o pericárdio, resultando em uma reação inflamatória granulomatosa que leva ao acúmulo de líquido e, em casos crônicos, ao espessamento e fibrose do pericárdio.
O diagnóstico de pericardite tuberculosa é desafiador e requer alta suspeição. Inclui análise do líquido pericárdico (adenosina deaminase - ADA elevada, cultura para BAAR, PCR para M. tuberculosis), biópsia pericárdica com histopatologia (granulomas caseosos) e cultura, além de evidências de TB em outros sítios.
O tratamento da pericardite tuberculosa envolve um esquema antituberculose padrão (isoniazida, rifampicina, pirazinamida, etambutol) por 6 a 9 meses. Corticosteroides podem ser usados concomitantemente para reduzir a inflamação e prevenir a pericardite constritiva.
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