SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2020
Um paciente de 25 anos de idade, HIV positivo, queixa-se de tosse produtiva e febre há cinco dias, com piora nos últimos três dias, apresentando também desconforto respiratório e dor pleurítica à esquerda. Foi avaliado no pronto-socorro, onde se apresentava sudoreico, taquipneico (FR = 44 irpm), FC = 102 bpm, Sp02 = 94%. Na ausculta, havia estertores em terço médio do pulmão direito e redução importante dos murmúrios na base direita. Foi realizada a radiografia de tórax, conforme imagem. Acerca desse caso clínico e com base nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir. Derrames parapneumônicos não complicados podem ser tratados de maneira conservadora, sem drenagem de tórax.
Derrame parapneumônico simples (pH > 7.2, glicose > 60, s/ pus) → Antibioticoterapia isolada.
Derrames parapneumônicos pequenos e não complicados (estéreis e sem alterações bioquímicas graves) resolvem-se apenas com o tratamento da pneumonia subjacente.
O derrame parapneumônico é a causa mais comum de derrame pleural exsudativo em países desenvolvidos, ocorrendo em até 40% das pneumonias bacterianas internadas. Eles são classificados em três estágios: exsudativo (simples), fibropurulento (complicado) e de organização (empiema crônico). A diferenciação entre o derrame não complicado e o complicado é bioquímica e microbiológica. O derrame não complicado é estéril e resulta da inflamação adjacente à pleura, resolvendo-se com antibióticos. Já o complicado indica invasão bacteriana do espaço pleural, exigindo drenagem para evitar o encarceramento pulmonar. No paciente HIV+, a abordagem diagnóstica deve ser rigorosa para excluir tuberculose ou pneumocistose, mas a regra de manejo conservador para derrames simples permanece válida.
É considerado complicado quando a análise do líquido pleural revela pH < 7.2, glicose < 60 mg/dL, LDH > 1000 UI/L ou presença de bactérias no Gram/cultura.
A conduta é conservadora, baseada na antibioticoterapia eficaz para a pneumonia bacteriana de base e monitorização clínica/radiológica estreita.
Não diretamente. As indicações de drenagem (derrame complicado ou empiema) permanecem as mesmas, embora o HIV exija maior suspeição para patógenos oportunistas e evolução desfavorável.
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