Dermatomiosite: Diagnóstico e Manifestações Clínicas

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, de 48 anos de idade, comparece ao ambulatório com queixa de dispneia aos esforços (fazer tarefas domésticas ou caminhar até o mercado), que vem em piora progressiva nos últimos 6 meses. Também se queixou de fraqueza nas pernas, sendo que começou a ter dificuldade para se levantar da cadeira e para levantar os braços acima da cabeça. Sem comorbidades conhecidas ou uso de medicamentos. Ao exame, apresenta pressão arterial de 128x88mmHg, frequência cardíaca de 76bpm e saturação de oxigênio de 91% em ar ambiente. Tinha crepitos em bases pulmonares bilateralmente. No exame neurológico, apresentava redução de proximal em cinturas escapular e pélvica, com força preservada distalmente em membros superiores e inferiores. Também foi observada a alteração que pode ser vista na figura a seguir: Qual é o diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Dermatomiosite
  2. B) Artrite reumatoide
  3. C) Esclerose sistêmica
  4. D) Polimialgia reumática

Pérola Clínica

Dermatomiosite → fraqueza muscular proximal + dispneia (DPI) + lesões cutâneas típicas (Gottron, heliotropo).

Resumo-Chave

A dermatomiosite é uma miopatia inflamatória idiopática caracterizada por fraqueza muscular proximal simétrica e manifestações cutâneas distintivas. A dispneia e os crepitantes pulmonares sugerem envolvimento pulmonar, como doença pulmonar intersticial, uma complicação comum e grave.

Contexto Educacional

A dermatomiosite é uma miopatia inflamatória idiopática sistêmica que afeta principalmente músculos e pele, mas pode envolver outros órgãos como pulmões, coração e trato gastrointestinal. É mais comum em mulheres e pode ter um pico de incidência na meia-idade. O reconhecimento precoce é crucial devido ao risco de complicações graves e associação com malignidades. A fisiopatologia envolve um processo inflamatório mediado por autoanticorpos e células T, resultando em dano muscular e cutâneo. O diagnóstico é baseado na apresentação clínica (fraqueza muscular proximal, lesões cutâneas típicas), elevação de enzimas musculares (CK, DHL, aldolase), eletroneuromiografia e biópsia muscular. A presença de doença pulmonar intersticial, como sugerido pela dispneia e crepitantes, é um achado importante que impacta o prognóstico. O tratamento da dermatomiosite geralmente envolve corticosteroides como primeira linha, frequentemente associados a imunossupressores poupadores de corticoide, como metotrexato ou azatioprina. Em casos de doença grave ou refratária, terapias biológicas ou imunoglobulina intravenosa podem ser consideradas. O manejo da doença pulmonar intersticial requer abordagem específica, muitas vezes com doses mais altas de imunossupressores.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais cutâneos clássicos da dermatomiosite?

Os sinais cutâneos clássicos incluem as pápulas de Gottron (lesões eritemato-violáceas sobre as articulações interfalangeanas e metacarpofalangeanas) e o rash heliotrópico (eritema violáceo periorbital com edema).

Como a dermatomiosite afeta os pulmões?

O envolvimento pulmonar na dermatomiosite é comum e pode se manifestar como doença pulmonar intersticial (DPI), levando a dispneia e tosse. É uma das principais causas de morbimortalidade.

Qual a principal diferença entre dermatomiosite e polimialgia reumática?

A dermatomiosite cursa com fraqueza muscular proximal e manifestações cutâneas, enquanto a polimialgia reumática se manifesta com dor e rigidez nas cinturas escapular e pélvica, sem fraqueza muscular objetiva ou lesões de pele.

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