FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2021
Mulher de 65 anos procura serviço médico com queixa de fraqueza muscular proximal nos últimos 3 meses, que dificulta pentear o cabelo e levantar das cadeiras sem auxílio. Relata também lesões eritematosas em metacarpofalangeanas e interfalangeanas proximais. Nega disfagia ou disfonia. Exame físico confirmou redução de força em cintura escapular e pélvica, além de pápulas de Gottron. Exames laboratoriais demonstraram elevação acentuada de enzimas musculares. De acordo com a principal hipótese, qual a conduta adequada?
Dermatomiosite em >50 anos + fraqueza proximal + pápulas de Gottron → Rastreio rigoroso de neoplasia.
A dermatomiosite é uma miopatia inflamatória idiopática caracterizada por fraqueza muscular proximal e manifestações cutâneas típicas como as pápulas de Gottron. Em pacientes adultos, especialmente idosos, há uma forte associação com neoplasias ocultas, tornando o rastreio oncológico uma prioridade diagnóstica e terapêutica.
A dermatomiosite é uma miopatia inflamatória idiopática sistêmica caracterizada por fraqueza muscular proximal simétrica e manifestações cutâneas distintas. É mais comum em mulheres e pode ocorrer em qualquer idade, com picos na infância e entre 40-60 anos. A importância clínica reside no seu impacto funcional e na associação com outras condições, notadamente neoplasias. O diagnóstico é baseado na tríade de fraqueza muscular proximal, elevação de enzimas musculares (CK, DHL, aldolase, TGO, TGP) e achados cutâneos típicos, como pápulas de Gottron (pápulas eritemato-violáceas sobre as articulações metacarpofalangeanas e interfalangeanas), sinal do xale e heliotropo. A fisiopatologia envolve um processo inflamatório autoimune que afeta vasos sanguíneos musculares e cutâneos. Em pacientes adultos, especialmente aqueles com mais de 50 anos, a dermatomiosite pode ser uma manifestação paraneoplásica, com risco aumentado de câncer (pulmão, ovário, mama, gastrointestinal, linfomas). Portanto, o rastreio de neoplasia oculta é uma etapa crucial no manejo inicial, antes ou em paralelo ao início da imunossupressão (geralmente com corticosteroides). O tratamento da neoplasia subjacente pode levar à melhora da dermatomiosite.
Os principais sinais incluem fraqueza muscular proximal simétrica (dificuldade para levantar braços, subir escadas) e manifestações cutâneas como pápulas de Gottron, sinal do xale e heliotropo.
A dermatomiosite pode ser uma síndrome paraneoplásica, onde o sistema imunológico reage a antígenos tumorais que se assemelham a antígenos musculares ou cutâneos, desencadeando a doença. O risco é maior em pacientes acima de 50 anos.
O rastreio deve ser abrangente e incluir exames de imagem (tomografia de tórax, abdome e pelve), mamografia, colonoscopia, exames ginecológicos/urológicos e marcadores tumorais, conforme a idade e fatores de risco do paciente.
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