Dermatomiosite em Idosos: Rastreio de Neoplasias Ocultas

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 65 anos procura serviço médico com queixa de fraqueza muscular proximal nos últimos 3 meses, que dificulta pentear o cabelo e levantar das cadeiras sem auxílio. Relata também lesões eritematosas em metacarpofalangeanas e interfalangeanas proximais. Nega disfagia ou disfonia. Exame físico confirmou redução de força em cintura escapular e pélvica, além de pápulas de Gottron. Exames laboratoriais demonstraram elevação acentuada de enzimas musculares. De acordo com a principal hipótese, qual a conduta adequada?

Alternativas

  1. A) Pulsoterapia com metilprednisolona, seguida de ciclofosfamida.
  2. B) Investigação de timoma e, se presente, ressecção cirúrgica.
  3. C) Rastreio de neoplasia.
  4. D) Introdução de antimalárico. Se não houver resposta, introduzir metotrexato. 
  5. E) Introdução de baixas doses de prednisona (5 mg/dia) e filtro solar nas lesões.

Pérola Clínica

Dermatomiosite em >50 anos + fraqueza proximal + pápulas de Gottron → Rastreio rigoroso de neoplasia.

Resumo-Chave

A dermatomiosite é uma miopatia inflamatória idiopática caracterizada por fraqueza muscular proximal e manifestações cutâneas típicas como as pápulas de Gottron. Em pacientes adultos, especialmente idosos, há uma forte associação com neoplasias ocultas, tornando o rastreio oncológico uma prioridade diagnóstica e terapêutica.

Contexto Educacional

A dermatomiosite é uma miopatia inflamatória idiopática sistêmica caracterizada por fraqueza muscular proximal simétrica e manifestações cutâneas distintas. É mais comum em mulheres e pode ocorrer em qualquer idade, com picos na infância e entre 40-60 anos. A importância clínica reside no seu impacto funcional e na associação com outras condições, notadamente neoplasias. O diagnóstico é baseado na tríade de fraqueza muscular proximal, elevação de enzimas musculares (CK, DHL, aldolase, TGO, TGP) e achados cutâneos típicos, como pápulas de Gottron (pápulas eritemato-violáceas sobre as articulações metacarpofalangeanas e interfalangeanas), sinal do xale e heliotropo. A fisiopatologia envolve um processo inflamatório autoimune que afeta vasos sanguíneos musculares e cutâneos. Em pacientes adultos, especialmente aqueles com mais de 50 anos, a dermatomiosite pode ser uma manifestação paraneoplásica, com risco aumentado de câncer (pulmão, ovário, mama, gastrointestinal, linfomas). Portanto, o rastreio de neoplasia oculta é uma etapa crucial no manejo inicial, antes ou em paralelo ao início da imunossupressão (geralmente com corticosteroides). O tratamento da neoplasia subjacente pode levar à melhora da dermatomiosite.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da dermatomiosite?

Os principais sinais incluem fraqueza muscular proximal simétrica (dificuldade para levantar braços, subir escadas) e manifestações cutâneas como pápulas de Gottron, sinal do xale e heliotropo.

Por que a dermatomiosite está associada a neoplasias em idosos?

A dermatomiosite pode ser uma síndrome paraneoplásica, onde o sistema imunológico reage a antígenos tumorais que se assemelham a antígenos musculares ou cutâneos, desencadeando a doença. O risco é maior em pacientes acima de 50 anos.

Quais exames devem ser solicitados no rastreio de neoplasia em dermatomiosite?

O rastreio deve ser abrangente e incluir exames de imagem (tomografia de tórax, abdome e pelve), mamografia, colonoscopia, exames ginecológicos/urológicos e marcadores tumorais, conforme a idade e fatores de risco do paciente.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo