CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2024
(ANULADA) Quais das afirmações abaixo apresentam sentenças que caracterizam a dermatoceratoconjuntivite atópica? I. Acomete mais pacientes do sexo masculino. II. Vascularização da córnea é comum. III. Comprometimento mais frequente da conjuntiva tarsal superior. IV. Não apresenta marcante predileção por sexo. V. Vascularização da córnea é rara. VI. Comprometimento mais frequente da conjuntiva tarsal inferior. VII. Úlceras de córnea "em escudo" são comuns.
AKC → Predomínio masculino + Conjuntiva inferior + Vascularização corneana frequente.
A dermatoceratoconjuntivite atópica (AKC) é uma condição bilateral crônica associada à dermatite atópica, caracterizada por envolvimento preferencial da conjuntiva inferior e alto risco de cegueira por cicatrizes corneanas.
A dermatoceratoconjuntivite atópica (AKC) representa a manifestação ocular mais grave da atopia. Diferente de outras alergias oculares, a AKC envolve mecanismos de hipersensibilidade tipo I (IgE dependente) e tipo IV (celular), o que explica sua cronicidade e potencial destrutivo. O diagnóstico é clínico, baseado na história de dermatite atópica e nos achados de blefarite crônica, papilas conjuntivais e alterações corneanas. A importância do reconhecimento precoce reside na prevenção de complicações como o ceratocone, catarata subcapsular anterior e posterior, e a vascularização corneana periférica que pode progredir para o centro da visão. O acompanhamento multidisciplinar com dermatologistas e alergistas é essencial para o controle sistêmico da doença.
A Dermatoceratoconjuntivite Atópica (AKC) geralmente acomete adultos jovens e tem predileção pela conjuntiva tarsal inferior, frequentemente associada a eczema palpebral severo. Já a Ceratoconjuntivite Vernal (VKC) é mais comum em crianças do sexo masculino, com envolvimento predominante da conjuntiva tarsal superior (papilas gigantes) ou do limbo. Na AKC, a vascularização corneana e a fibrose conjuntival são complicações mais frequentes e graves do que na VKC.
A úlcera em escudo é uma complicação grave de ceratoconjuntivites alérgicas severas. Trata-se de uma úlcera epitelial estéril, rasa, localizada no terço superior da córnea, com bordas elevadas e frequentemente preenchida por depósitos de muco e fibrina. Ela resulta da inflamação crônica e do trauma mecânico das papilas tarsais superiores contra o epitélio corneano fragilizado por mediadores inflamatórios.
O tratamento envolve o controle da inflamação da superfície ocular e das pálpebras. Utilizam-se estabilizadores de mastócitos e anti-histamínicos tópicos para manutenção. Em crises, corticosteroides tópicos são necessários, mas com cautela pelo risco de catarata e glaucoma. Imunomoduladores como ciclosporina ou tacrolimus (tópicos ou sistêmicos) são fundamentais para casos crônicos e para poupar o uso de corticoides.
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