SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2020
Menina, 8 semanas de vida, é levada pela genitora à UBS com lesões de pele em face, região retroauricular, e em couro cabeludo, há mais de um mês. Usou cremes e pomadas à base de salicilato, zinco e antifúngicos, sem resultado. É alimentada apenas com leite materno. Ao exame físico, observa-se que as lesões da face, que localizam-se nos vincos do nariz, bem como as de localização retroauricular são eritematosas, de descamação fina; e, também, estão presentes em pregas cutâneas inguinais, cervicais e axilares. No couro cabeludo as lesões têm aspecto escamoso, gorduroso, mais espesso, de coloração brancoamarelado. Não há outra alteração ao exame físico. Diante da situação descrita, indique a principal hipótese diagnóstica.
Crosta láctea + lesões em pregas (sem prurido intenso) = Dermatite Seborreica do Lactente.
A dermatite seborreica do lactente é uma condição benigna e autolimitada, caracterizada por escamas gordurosas amareladas em áreas ricas em glândulas sebáceas e dobras cutâneas.
A dermatite seborreica do lactente é uma das dermatoses mais comuns nos primeiros meses de vida, com pico de incidência entre a 3ª e 8ª semana. Clinicamente, manifesta-se por placas eritematosas cobertas por escamas amareladas, gordurosas e aderentes, localizadas preferencialmente no couro cabeludo (crosta láctea), face (sulcos nasogenianos), região retroauricular e dobras (pescoço, axilas e região inguinal). O diagnóstico é eminentemente clínico. É crucial diferenciá-la da dermatite atópica (início mais tardio, prurido intenso, história familiar de atopia) e da psoríase infantil (placas mais bem delimitadas e descamação prateada). Na maioria dos casos, a condição é autolimitada e resolve-se espontaneamente até os 6-12 meses de idade, à medida que os níveis hormonais maternos decrescem e a atividade das glândulas sebáceas diminui.
A etiologia exata é desconhecida, mas acredita-se que resulte de uma resposta inflamatória à levedura Malassezia furfur, favorecida pelo aumento da produção de sebo. Esse aumento sebáceo é estimulado por hormônios maternos que ainda circulam no lactente nas primeiras semanas de vida, o que explica o início precoce da condição.
O tratamento é conservador. Recomenda-se a aplicação de óleos minerais ou vegetais para amolecer as escamas, seguida de lavagem com shampoo suave e remoção delicada com escova macia. Em casos persistentes ou muito inflamatórios, podem ser usados corticoides de baixa potência ou antifúngicos tópicos por curto período, sempre sob supervisão médica.
Diferente da dermatite atópica, a dermatite seborreica do lactente geralmente não é pruriginosa ou apresenta prurido muito leve. A criança costuma estar confortável e sem sinais de irritabilidade, apesar da aparência exuberante das lesões. A ausência de prurido importante é um marco fundamental para o diagnóstico diferencial.
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