HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026
Lactente de 2 meses, sexo masculino, é trazido ao ambulatório com queixa de lesões cutâneas desde o segundo mês de vida. A mãe relata o aparecimento de áreas avermelhadas com descamação fina no couro cabeludo e sobrancelhas. Nos últimos dias, surgiram lesões semelhantes em regiões retroauriculares e nas dobras axilares e inguinais, algumas associadas a crostas amareladas e aderentes. O bebê não apresenta febre, mantém bom estado geral e está em aleitamento materno exclusivo, sem antecedentes relevantes. Ao exame físico, nota-se, no couro cabeludo, áreas de placas eritematosas com descamação oleosa e crostas amareladas e, nas regiões retroauriculares e de dobras, placas eritematosas brilhantes, com descamação fina e discreto aspecto úmido. Com base no quadro clínico descrito, qual é o diagnóstico mais provável?
Descamação oleosa + crostas amareladas em dobras e couro cabeludo → Dermatite Seborreica.
A dermatite seborreica no lactente é uma condição benigna e autolimitada, caracterizada por placas eritematosas com escamas gordurosas, poupando geralmente o estado geral da criança.
A dermatite seborreica é uma das dermatoses mais comuns no primeiro ano de vida. Caracteriza-se por um quadro inflamatório crônico-recidivante, com predileção por áreas ricas em glândulas sebáceas. No lactente, o couro cabeludo é o local mais afetado (crosta láctea), mas a face e as áreas intertriginosas (axilas, pescoço e região inguinal) também são frequentemente envolvidas. Diferente da dermatite atópica, o estado geral do paciente é excelente e o prurido é mínimo ou ausente. O diagnóstico é clínico, baseado na morfologia e distribuição das lesões. O prognóstico é excelente, com resolução espontânea na maioria dos casos até o primeiro ano de vida.
A dermatite seborreica surge precocemente (primeiras semanas), apresenta escamas oleosas e amareladas, acomete dobras e couro cabeludo, e não costuma causar prurido importante. Já a dermatite atópica surge geralmente após o 3º mês, é intensamente pruriginosa, poupa a região das fraldas e apresenta pele xerótica.
Acredita-se que esteja relacionada à estimulação das glândulas sebáceas pelos hormônios maternos residuais e à colonização por fungos do gênero Malassezia, embora a etiologia exata ainda seja discutida.
O tratamento é conservador, com uso de óleos minerais para remoção das crostas, shampoos suaves e, em casos de inflamação persistente, corticoides de baixa potência ou antifúngicos tópicos por curto período.
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