FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2018
J.A.S., 43 anos, casado, caucasiano, trabalha no setor de revestimentos de uma galvanoplastia, apresenta lesões tipo micropápulas, eritematosas, escoriadas parecidas com aquelas produzidas pelo Sarcoptes scabei em região de abdome e antebraços há 30 dias, utilizou, por conta própria, loção a base de permetrina a 5% por 10 dias, mas sem melhora dos sintomas. Foi ao posto de saúde para auxílio; o médico do serviço deve:
Lesões pruriginosas + exposição ocupacional a metais (galvanoplastia) + falha terapêutica → suspeitar dermatite de contato.
A persistência dos sintomas após tratamento empírico para escabiose, associada à história ocupacional em galvanoplastia, sugere fortemente uma dermatite de contato. O níquel é um alérgeno comum em ambientes industriais e o teste epicutâneo é o padrão-ouro para confirmar a sensibilização.
A dermatite de contato ocupacional é uma condição inflamatória da pele causada pela exposição a agentes irritantes ou alérgenos no ambiente de trabalho. É uma das doenças ocupacionais mais comuns, sendo crucial para o médico residente saber identificá-la e manejá-la adequadamente. A história clínica detalhada, incluindo a ocupação e os materiais manipulados, é fundamental para a suspeita diagnóstica. Em casos de exposição a metais em galvanoplastias, como níquel, cromo e cobalto, a dermatite de contato alérgica é uma hipótese relevante. O níquel, em particular, é um dos alérgenos mais frequentes. A falha no tratamento empírico para outras condições, como escabiose, reforça a necessidade de investigação etiológica. O diagnóstico definitivo é feito através do teste epicutâneo (patch test), que permite identificar o agente causador. Uma vez confirmado, o tratamento envolve o afastamento do agente, uso de corticoides tópicos e, em casos graves, sistêmicos, além de medidas de proteção no ambiente de trabalho.
Metais como níquel, cromo, cobalto e zinco são alérgenos comuns em galvanoplastias, podendo causar dermatite de contato alérgica em trabalhadores expostos.
Suspeitar quando há lesões cutâneas pruriginosas ou eczematosas que pioram no trabalho e melhoram nos fins de semana/férias, ou que não respondem a tratamentos convencionais.
O teste epicutâneo (patch test) consiste na aplicação de alérgenos na pele do dorso por 48 horas, com leituras posteriores. É fundamental para identificar o agente causador da dermatite de contato.
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