Dermatite de Contato Ocupacional: Conduta e Nexo Causal

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2016

Enunciado

Homem, 45 anos de idade, trabalhador em empresa de construção civil há 10 anos, vem à Unidade Básica de Saúde com queixas de prurido e feridas em mãos há sete anos. Segundo informa, o quadro piora cada vez que se expõe a pó de cimento. Relata que as vezes esquece o uso de luvas durante a mistura de cimento. O quadro vem se agravando com o tempo e, atualmente, sente-se impedido de trabalhar pois, mesmo com o uso das luvas, o prurido é intenso. Nega tosse ou dispneia. Ao exame, apresenta lesões hiperêmicas, descamativas e com microvesículas extensas em dorso de mãos e dedos, com áreas de liquenificação e algumas pústulas. O paciente deseja atestado médico para o trabalho. Diante desse quadro, indique a conduta a ser tomada, considerando o pedido do paciente.

Alternativas

Pérola Clínica

Dermatite por cimento → Afastamento da exposição + Emissão de CAT + Corticoide tópico.

Resumo-Chave

O quadro sugere dermatite de contato alérgica ao cromo ou irritativa pelo cimento. A conduta envolve o afastamento do agente causal, tratamento clínico e avaliação da capacidade laboral.

Contexto Educacional

A dermatite de contato ocupacional é uma das principais causas de absenteísmo e incapacidade laboral na construção civil. O cimento atua como um irritante químico potente devido à sua alcalinidade e como um alérgeno devido à presença de metais pesados como o cromo e o cobalto. O quadro clínico de microvesículas (fase aguda) evoluindo para liquenificação (fase crônica) é típico dos eczemas de contato. O manejo vai além da prescrição medicamentosa; exige uma visão integrada da saúde do trabalhador. O estabelecimento do nexo causal é o primeiro passo para a proteção legal do paciente. O uso de luvas, embora recomendado, muitas vezes é insuficiente quando a sensibilização alérgica já está estabelecida ou quando o pó do cimento penetra no interior do EPI, mantendo o estímulo inflamatório. A reabilitação profissional é frequentemente necessária em casos crônicos e graves.

Perguntas Frequentes

Qual a principal causa de dermatite de contato no cimento?

A principal causa de dermatite de contato alérgica em trabalhadores que manuseiam cimento é a sensibilização ao cromo (especificamente o dicromato de potássio), que é um contaminante comum no processo de fabricação do cimento. Além do componente alérgico, o cimento possui um pH muito alcalino e propriedades abrasivas, o que causa dermatite de contato irritativa primária. A combinação desses fatores leva a quadros crônicos de eczema, com liquenificação e fissuras, dificultando a recuperação se a exposição persistir.

Como deve ser feita a emissão da CAT neste caso?

A Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) deve ser emitida sempre que houver suspeita ou confirmação de doença profissional ou do trabalho. O médico assistente deve preencher o laudo médico da CAT, descrevendo o diagnóstico, o nexo causal (relação entre a doença e o trabalho com cimento) e a necessidade de afastamento. A CAT é fundamental para garantir os direitos previdenciários do trabalhador e para o registro epidemiológico de doenças ocupacionais.

Qual a conduta terapêutica e administrativa para este paciente?

Terapeuticamente, indica-se o uso de corticoides tópicos de alta potência para as áreas de liquenificação, hidratantes (emolientes) para restaurar a barreira cutânea e anti-histamínicos se o prurido for incapacitante. Administrativamente, é imperativo o afastamento imediato da exposição ao cimento. Como o paciente já apresenta cronificação e falha no uso de EPIs, deve-se considerar o encaminhamento para reabilitação profissional em outra função que não envolva contato com agentes sensibilizantes.

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