UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2024
Mulher de 70 anos relata, durante a consulta ginecológica, uma queixa de ardência vulvar e hipersensibilidade. Ela fora diagnosticada com líquen escleroso vulvar em biópsia há 15 anos, e o prurido vulvar, que era seu principal sintoma naquela época, está bem controlado. Relata também um histórico de incontinência urinária de esforço. O exame recente da área afetada revela manchas vermelhas mal definidas com edema discreto da vulva e da pele perianal.Quanto à causa mais provável dos sintomas vulvares, assinale a alternativa correta.
Idosa com líquen escleroso controlado + incontinência urinária + lesões irritativas → Dermatite de contato por urina.
Em uma paciente idosa com incontinência urinária de esforço e um histórico de líquen escleroso (cujo prurido está controlado), o surgimento de ardência, hipersensibilidade, manchas vermelhas e edema na vulva e região perianal é altamente sugestivo de dermatite de contato irritativa, provavelmente causada pela exposição prolongada à urina.
A saúde vulvovaginal em mulheres idosas é complexa, e a presença de múltiplas condições pode dificultar o diagnóstico diferencial. O líquen escleroso vulvar é uma dermatose inflamatória crônica que causa prurido intenso, dor e alterações atróficas na vulva. No entanto, quando os sintomas de prurido estão controlados, novos sintomas como ardência e hipersensibilidade, especialmente com achados de eritema e edema, devem levantar a suspeita de outras etiologias. A incontinência urinária de esforço é comum em mulheres idosas e representa um fator de risco significativo para o desenvolvimento de dermatite de contato irritativa na região vulvar e perianal. A exposição contínua à urina, que é alcalina e contém ureia e amônia, irrita a barreira cutânea, levando a inflamação, ardência e eritema. O diagnóstico é clínico, baseado na história e no exame físico. O manejo envolve o controle da incontinência urinária, higiene adequada da região com produtos suaves, uso de barreiras protetoras (cremes ou pomadas) e, se necessário, corticosteroides tópicos de baixa potência para controlar a inflamação aguda. Residentes devem estar atentos a esses fatores de risco e considerar a dermatite de contato como uma causa comum de sintomas vulvares em pacientes idosas com incontinência, mesmo na presença de outras condições dermatológicas crônicas.
A exposição prolongada da pele vulvar e perianal à urina, que tem pH e componentes irritantes, pode levar à maceração e inflamação da barreira cutânea, resultando em dermatite de contato irritativa.
Os sinais incluem ardência, prurido, eritema (manchas vermelhas), edema, e em casos mais graves, pode haver erosões e fissuras na pele da vulva e região perianal, indicando inflamação.
A dermatite de contato geralmente apresenta eritema e edema mais difusos, enquanto o líquen escleroso ativo pode ter atrofia, esclerose, pápulas peroladas e fissuras. O histórico de controle do prurido do líquen anterior é chave para o diagnóstico diferencial.
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