Dermatite Atópica: Manejo Essencial e Cuidados com a Pele

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 19 anos, vem à unidade de saúde referindo prurido em membros superiores e região cervical. Informa que esse quadro vem desde a infância, com períodos remissivos, e que teve piora após a mudança para a casa do namorado, há algumas semanas. Refere que evita tecidos sintéticos, uso de abrasivos na pele e que tem um cão de estimação. Faz uso de salbutamol para tratamento da asma, sem exacerbações recentes. Ao exame físico, apresenta lesões crostosas em região flexora de membros superiores, região cervical e mãos. Em relação ao tratamento dessa paciente, afirma-se:I. Devem ser estimulados banhos curtos e diários para manter a pele com baixo índice de colonização bacteriana, principalmente por Staphylococcus aureus.II. É importante avaliar e dar suporte para os aspectos psicológicos, orientar hidratação da pele e afastamento do animal de estimação.III. Está indicado anti-histamínico oral por 10 dias e corticoide tópico de alta potência por 4 semanas. Está/Estão correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)

Alternativas

  1. A) I.
  2. B) II.
  3. C) I e III.
  4. D) II e III.

Pérola Clínica

Dermatite atópica → banhos curtos e hidratação são essenciais; S. aureus colonização é comum.

Resumo-Chave

O manejo da dermatite atópica envolve medidas de higiene e hidratação para restaurar a barreira cutânea e reduzir a colonização bacteriana, especialmente por Staphylococcus aureus, que exacerba a doença. O uso de corticoides tópicos deve ser individualizado e monitorado.

Contexto Educacional

A dermatite atópica (DA) é uma doença inflamatória crônica da pele, caracterizada por prurido intenso, lesões eczematosas e pele seca, frequentemente associada a outras atopias como asma e rinite alérgica. Sua prevalência tem aumentado globalmente, sendo um desafio diagnóstico e terapêutico na prática clínica. A disfunção da barreira cutânea e a desregulação imunológica são aspectos fisiopatológicos chave. O diagnóstico é clínico, baseado em critérios como prurido, morfologia e distribuição típica das lesões (flexuras em adultos), história pessoal ou familiar de atopia e curso crônico-recidivante. É fundamental identificar e evitar fatores desencadeantes, como irritantes, alérgenos, estresse e infecções. A educação do paciente sobre a doença e seu manejo é essencial para o sucesso terapêutico. O tratamento da DA é multifacetado, combinando medidas não farmacológicas e farmacológicas. A hidratação diária com emolientes é a base, visando restaurar a barreira cutânea. Banhos curtos e mornos, com sabonetes suaves, são recomendados. Corticoides tópicos são a terapia anti-inflamatória de primeira linha para exacerbações, com potência e duração ajustadas à gravidade e localização das lesões. Inibidores de calcineurina tópicos são alternativas eficazes, especialmente para uso em longo prazo e em áreas sensíveis. O controle da colonização por Staphylococcus aureus, quando presente, pode ser feito com antibióticos tópicos ou sistêmicos, se houver sinais de infecção.

Perguntas Frequentes

Quais são os pilares do tratamento não farmacológico da dermatite atópica?

Os pilares incluem banhos curtos com água morna, uso de sabonetes suaves, hidratação intensiva da pele com emolientes logo após o banho e evitar fatores desencadeantes como tecidos sintéticos e irritantes.

Por que a colonização por Staphylococcus aureus é relevante na dermatite atópica?

A pele de pacientes com dermatite atópica é frequentemente colonizada por Staphylococcus aureus, que pode liberar toxinas e superantígenos, contribuindo para a inflamação e exacerbação das lesões, além de aumentar o risco de infecções secundárias.

Qual a importância da hidratação na dermatite atópica?

A hidratação é crucial para restaurar a barreira cutânea comprometida na dermatite atópica, reduzindo a perda de água transepidérmica, diminuindo o prurido e protegendo a pele contra irritantes e alérgenos.

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