HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2023
Menino, 18 meses, é levado para atendimento devido a lesões pruriginosas recorrentes na região malar e na face extensora dos braços e pernas, bilateralmente. A criança tem histórico de alergia à proteína do leite de vaca até os 12 meses de idade. Ao exame, apresenta pele seca, pápulas, vesículas e placas eritematosas com crostas, além de escoriações secundárias. Pais com histórico de asma e de rinite alérgica. Com relação ao diagnóstico mais provável, qual é a alternativa correta?
Dermatite Atópica: criança, prurido, lesões típicas, histórico atopia. Aguda exsudativa → corticoide tópico + compressas úmidas.
O quadro clínico do menino (idade, localização das lesões, prurido, pele seca, histórico familiar e pessoal de atopia) é altamente sugestivo de dermatite atópica. Na fase aguda exsudativa, o tratamento de primeira escolha envolve corticosteroides tópicos para controlar a inflamação e compressas úmidas para aliviar o prurido e remover crostas.
A dermatite atópica (DA), também conhecida como eczema atópico, é uma doença inflamatória crônica da pele, caracterizada por prurido intenso, pele seca e lesões eczematosas. É uma das doenças de pele mais comuns na infância, afetando até 20% das crianças. A DA faz parte da "marcha atópica", frequentemente associada a outras condições alérgicas como asma, rinite alérgica e alergias alimentares. O diagnóstico é clínico, baseado em critérios como prurido, morfologia e distribuição típicas das lesões, e histórico pessoal ou familiar de atopia. A fisiopatologia da dermatite atópica envolve uma disfunção da barreira cutânea, que permite a perda de água e a penetração de alérgenos e irritantes, e uma resposta imune desregulada, com predominância de células Th2 e produção de IgE. Em lactentes e crianças pequenas (até 2 anos), as lesões tendem a ser agudas, eritematosas, vesiculosas e exsudativas, localizadas na face (especialmente região malar), couro cabeludo e superfícies extensoras dos braços e pernas. O tratamento da dermatite atópica visa controlar o prurido, reduzir a inflamação, restaurar a barreira cutânea e prevenir exacerbações. Na fase exsudativa aguda, a primeira escolha terapêutica são os corticosteroides tópicos, que atuam rapidamente na inflamação. Compressas úmidas são adjuvantes importantes, ajudando a remover crostas, aliviar o prurido e potencializar a ação dos corticoides. Hidratantes emolientes são essenciais para o cuidado diário da pele seca. Anti-histamínicos orais podem ser usados para o prurido, mas não são a primeira linha, e anestésicos tópicos não são recomendados devido ao risco de sensibilização. Níveis séricos de IgE podem estar elevados, mas não são diagnósticos e raramente têm relevância para o manejo.
Em lactentes, as lesões são tipicamente eritematosas, vesiculosas e exsudativas, localizadas na face (malar), couro cabeludo e superfícies extensoras dos membros.
O histórico familiar de asma, rinite alérgica ou dermatite atópica (atopia) e o histórico pessoal de outras alergias (como alergia à proteína do leite de vaca) são fatores de risco importantes e apoiam o diagnóstico.
Na fase exsudativa aguda, o tratamento de primeira escolha inclui corticosteroides tópicos para reduzir a inflamação e compressas úmidas para aliviar o prurido, remover crostas e promover a cicatrização.
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