FJG - Fundação João Goulart / SMS Rio de Janeiro — Prova 2020
Lactente de 10 meses de vida, foi levado em ambulatório especializado apresentando quadro de lesões e eritematodescamativas em face e superfícies flexoras de membros. Mãe refere que, desde os três meses de idade, a criança apresenta alergia na pele, com sintomas de prurido e alteração do sono. Desconfia da piora com a introdução da fórmula à base de leite aos seis meses. Refere prescrição repetida de cremes à base de corticoides, sem melhora. Trata-se de um caso provável de:
Lactente com lesões eritematodescamativas em face/flexuras, prurido e alteração do sono → suspeitar de dermatite atópica.
A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele, comum em lactentes, caracterizada por lesões eritematodescamativas e prurido intenso, que frequentemente afeta a face e superfícies flexoras. A história de piora com a introdução de alimentos como fórmula de leite é um dado relevante para o diagnóstico.
A dermatite atópica (DA) é uma doença inflamatória crônica da pele, caracterizada por prurido intenso, xerose e lesões eczematosas. Afeta cerca de 15-20% das crianças, sendo uma das doenças de pele mais comuns na infância. Sua etiologia é multifatorial, envolvendo predisposição genética, disfunção da barreira cutânea, alterações imunológicas e fatores ambientais. É um componente da 'marcha atópica', frequentemente precedendo ou coexistindo com asma e rinite alérgica. O diagnóstico da DA é clínico, baseado nos critérios de Hanifin e Rajka, que incluem prurido, morfologia e distribuição típicas (face e superfícies extensoras em lactentes, flexoras em crianças maiores), história de cronicidade e história familiar de atopia. A disfunção da barreira cutânea, muitas vezes associada a mutações no gene da filagrina, permite maior perda de água transepidérmica e penetração de alérgenos e irritantes, contribuindo para a inflamação. A piora com a introdução de alimentos como a fórmula de leite é um dado importante a ser investigado. O manejo da DA visa controlar o prurido e a inflamação, restaurar a barreira cutânea e prevenir exacerbações. Inclui hidratação regular com emolientes, uso de corticosteroides tópicos para crises agudas, e, em casos mais graves, imunomoduladores tópicos ou sistêmicos. A identificação e evitação de gatilhos, como alérgenos alimentares ou irritantes ambientais, são fundamentais. A educação dos pais sobre os cuidados com a pele e o manejo da doença é essencial para o sucesso terapêutico e a melhoria da qualidade de vida da criança.
Os critérios diagnósticos para dermatite atópica em lactentes incluem prurido, morfologia e distribuição típicas das lesões (eritematodescamativas em face e superfícies extensoras em bebês, flexoras em crianças maiores), história de cronicidade ou recorrência, e história pessoal ou familiar de atopia (asma, rinite alérgica, dermatite atópica).
A alergia alimentar, especialmente à proteína do leite de vaca, pode ser um gatilho ou fator agravante para a dermatite atópica em lactentes. A introdução de novos alimentos pode levar à exacerbação dos sintomas cutâneos, e a identificação e exclusão do alérgeno podem ser parte do manejo.
O tratamento de primeira linha para a dermatite atópica em lactentes envolve hidratação intensiva da pele com emolientes, uso de corticosteroides tópicos de baixa a média potência para controlar as exacerbações inflamatórias, e identificação e evitação de fatores desencadeantes ou irritantes.
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