MedEvo Simulado — Prova 2026
Henrique, um paciente de 3 anos de idade com diagnóstico estabelecido de dermatite atópica desde o primeiro ano de vida, é levado ao pronto atendimento devido à exacerbação severa das lesões cutâneas. A mãe relata que, nas últimas duas semanas, o prurido tornou-se incessante, impedindo o sono da criança e causando irritabilidade extrema. Ela vem aplicando creme de hidrocortisona a 1% duas vezes ao dia e hidratantes comuns, sem obter resposta. Ao exame físico, o paciente apresenta-se afebril e em bom estado geral. Observam-se placas eczematosas intensamente eritematosas, com áreas de liquenificação e escoriações em fossas antecubitais e poplíteas. Adicionalmente, sobre as lesões das dobras, notam-se múltiplas pápulas com exsudação serosa e formação de crostas melicéricas localizadas, sem sinais de celulite ou linfangite. A história familiar é positiva para asma no pai e rinite alérgica na mãe. Diante do quadro de falha terapêutica inicial e apresentação clínica atual, a conduta mais adequada é:
Dermatite atópica + crostas melicéricas = Impetiginização → Corticoide moderado/alto + Mupirocina.
Falha terapêutica com hidrocortisona 1% em áreas liquenificadas exige escalonamento da potência do corticoide e tratamento de infecção secundária (crostas melicéricas).
A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele caracterizada por disfunção da barreira cutânea e desregulação imunológica (Th2). A colonização por Staphylococcus aureus é extremamente comum e predispõe a infecções secundárias. O tratamento baseia-se no step-up terapêutico: hidratação constante, controle de gatilhos e uso racional de anti-inflamatórios tópicos. Em casos de liquenificação, a penetração do fármaco é reduzida, justificando o uso de moléculas mais potentes. A educação da família sobre o banho adequado e a técnica de aplicação dos cremes é fundamental para o sucesso do tratamento a longo prazo.
Corticoides de baixa potência (como hidrocortisona 1%) são ideais para face e dobras em quadros leves. No entanto, em exacerbações com liquenificação (espessamento da pele) ou em áreas de pele mais grossa, são necessários agentes de maior potência, como o furoato de mometasona ou propionato de fluticasona, para controle inflamatório eficaz, limitando o uso ao período de crise para evitar efeitos adversos.
A impetiginização é sugerida pela presença de exsudação serosa, pústulas ou as clássicas crostas melicéricas sobre as lesões de eczema. Se a infecção for localizada e sem sinais sistêmicos, o tratamento de escolha é o antibiótico tópico (mupirocina ou ácido fusídico). Antibióticos sistêmicos como cefalexina são reservados para casos extensos, refratários ou com sinais de celulite/linfangite.
Os emolientes são a base do tratamento para restaurar a barreira cutânea, mas devem ser aplicados com cautela em áreas intensamente inflamadas ou infectadas, pois podem causar ardência ou oclusão excessiva. A recomendação atual é priorizar o controle da inflamação e infecção primeiro, mantendo a hidratação nas áreas não afetadas e reintroduzindo-a plenamente conforme a pele cicatriza.
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