Dermatite Atópica Infectada: Diagnóstico e Conduta Terapêutica

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026

Enunciado

Pré-escolar, sexo feminino, 3 anos de idade, apresenta lesões eczematosas pruriginosas desde os 6 meses de vida, que geralmente pioram na época do inverno. Nas últimas duas semanas, surgiram pápulas eritematosas exsudativas com crostas melicéricas em fossas cubitais e poplíteas. Mãe relata prurido intenso, que piora após banho quente. Ao exame clínico, apresenta áreas de liquenificação, escoriações e crostas amareladas em membros superiores e inferiores. Com base no diagnóstico mais provável, a conduta adequada é:

Alternativas

  1. A) Intensificar hidratação da pele e iniciar antibiótico tópico associado a corticoide tópico de baixa potência.
  2. B) Excluir leite e derivados da dieta, iniciar corticoide oral e anti-histamínico oral por 7 dias.
  3. C) Intensificar banhos com sabonete bactericida, iniciar tratamento com tacrolimo ou pimecrolimo tópicos.
  4. D) Usar antifúngico tópico e evitar hidratantes tópicos até regressão completa das lesões.

Pérola Clínica

Eczema + Crostas melicéricas = Dermatite Atópica infectada → Hidratação + Antibiótico + Corticoide.

Resumo-Chave

A quebra da barreira cutânea na dermatite atópica predispõe à colonização por S. aureus; o tratamento deve focar na infecção secundária e no controle da inflamação de base.

Contexto Educacional

A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele, caracterizada por xerose, prurido intenso e lesões eczematosas com distribuição típica por idade (em pré-escolares, atinge dobras flexurais). A fisiopatologia envolve uma complexa interação entre genética (mutação no gene da filagrina), disfunção da barreira epidérmica e desregulação imunológica Th2. O manejo clínico exige uma abordagem multifatorial: restauração da barreira com hidratantes (emolientes), controle de gatilhos ambientais e terapia anti-inflamatória. Quando surgem sinais de infecção secundária (impetiginização), o uso de antibióticos tópicos como a mupirocina ou ácido fusídico é indicado para lesões localizadas. O controle do prurido é vital para interromper o ciclo 'coceira-erupção', que perpetua o dano tecidual.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a impetiginização na dermatite atópica?

A impetiginização é a infecção bacteriana secundária de uma lesão pré-existente. Na dermatite atópica, manifesta-se pelo surgimento de pápulas eritematosas exsudativas, pústulas e, classicamente, crostas melicéricas (cor de mel). O agente mais comum é o Staphylococcus aureus, que coloniza facilmente a pele atópica devido ao déficit de proteínas de barreira (filagrina) e peptídeos antimicrobianos.

Por que a dermatite atópica costuma piorar no inverno?

No inverno, a umidade relativa do ar é menor e o uso de banhos quentes e prolongados é mais frequente. Esses fatores removem a camada lipídica natural da pele, aumentando a perda transepidérmica de água (TEWL). Em pacientes atópicos, que já possuem uma barreira cutânea deficiente, isso resulta em xerose extrema, prurido intenso e exacerbação das lesões eczematosas.

Qual a importância do corticoide tópico no eczema infectado?

Embora haja infecção, a base do quadro é um processo inflamatório intenso. O corticoide tópico de baixa ou média potência é essencial para reduzir a inflamação e o prurido, o que diminui o ato de coçar (escoriações) e permite que a barreira cutânea se recupere. Deve ser usado em associação com o antibiótico (tópico ou oral, dependendo da extensão) para tratar ambas as frentes.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo