FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025
Homem, 45 anos, apresenta histórico de dermatite atópica crônica, com lesões eritematosas e pruriginosas localizadas principalmente nos braços e no pescoço. Relata uso recente de emolientes com fragrância e banhos longos com sabonete comum. Nega qualquer associação dos sintomas com alimentos. Ao exame, as lesões são eritematosas, descamativas, com áreas de ressecamento e sinais de inflamação sem infecção ativa. Assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada para o manejo do caso apresentado:
Banho rápido + sabonete suave + hidratação imediata = Base do tratamento da Dermatite Atópica.
O controle da dermatite atópica exige a restauração da barreira cutânea através de hidratação constante e remoção de irritantes como fragrâncias e banhos quentes.
A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele, mediada por uma resposta imune Th2 e disfunção da barreira epidérmica. O quadro clínico é dominado por xerose intensa e prurido, que leva ao ciclo 'coceira-erupção'. O tratamento é escalonado: medidas educacionais e hidratação para todos; corticoides ou inibidores da calcineurina tópicos para inflamação; e fototerapia ou imunossupressores sistêmicos (como dupilumabe) para casos refratários. A educação do paciente sobre o banho e a aplicação correta de cremes é crucial para o sucesso terapêutico.
A hidratação é o pilar fundamental do tratamento, pois a dermatite atópica é caracterizada por um defeito na barreira cutânea (frequentemente por deficiência de filagrina), levando à perda transepidérmica de água. O uso de emolientes deve ser generoso e frequente, idealmente aplicado em até 3 minutos após o banho para 'selar' a umidade. Isso reduz a xerose, o prurido e a necessidade de corticosteroides tópicos.
Os corticosteroides tópicos são indicados para o controle das exacerbações agudas (crises). Devem ser aplicados apenas nas áreas inflamadas e pelo menor tempo possível para atingir o controle. Em casos moderados a graves, pode-se utilizar a 'terapia proativa', com aplicações duas vezes por semana em áreas previamente afetadas para prevenir recidivas, mas o uso diário prolongado deve ser evitado devido aos efeitos colaterais locais.
Pacientes devem evitar banhos longos e muito quentes, uso de buchas, sabonetes comuns (detergentes) que removem a camada lipídica, e produtos com fragrâncias ou corantes. Roupas de lã ou tecidos sintéticos ásperos também podem desencadear prurido. O uso de sabonetes tipo 'syndet' (synthetic detergents) com pH fisiológico é preferível para manter a integridade da pele.
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