Dermatite Atópica Infantil: Diagnóstico e Manejo Clínico

SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2022

Enunciado

Paciente, 3 anos, faiodérmico, residente na zona rural de Sapé, apresentando há 3 meses, manchas hipocrômicas descamativas nas fossas poplíteas e cubitais, pruriginosas. Refere que fez uso de Dexametasona creme, Cetoconazol creme sem melhora. Qual o possível diagnóstico e a melhor conduta neste caso?

Alternativas

  1. A) Dermatite atópica. Dexametasona creme por 10 dias, Tacrolimus pomada, hidratante e afastar fatores agravantes.
  2. B) Pitiríase Versicolor. Isoconazol creme por 30 dias.
  3. C) Vitiligo. Betametasona creme e Tacrolimus pomada por tempo prolongado.
  4. D) Dermatite de contato. Dexametasona creme por 30 dias e retirar os contactantes.
  5. E) Psoríase invertida. Dexametasona creme por 30 dias e hidratante com uréia 10%.

Pérola Clínica

Dermatite atópica: lesões pruriginosas em dobras (poplítea/cubital) + pele seca + histórico familiar/pessoal de atopia.

Resumo-Chave

A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele, comum na infância, caracterizada por prurido intenso e lesões eczematosas, frequentemente em áreas de flexão. O tratamento envolve hidratação, corticosteroides tópicos e imunomoduladores como tacrolimus.

Contexto Educacional

A dermatite atópica (DA), ou eczema atópico, é uma doença inflamatória crônica da pele, de caráter recidivante, que afeta principalmente crianças. Caracteriza-se por prurido intenso, pele seca e lesões eczematosas que variam em morfologia e localização conforme a idade. Em crianças maiores, as lesões tipicamente afetam as fossas poplíteas e cubitais, pescoço e tornozelos, como descrito na questão. A pele faiodérmica (seca) é uma característica comum, e a história de uso de cremes sem melhora, como cetoconazol (antifúngico), sugere que a etiologia não é fúngica. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Hanifin e Rajka, que incluem prurido, morfologia e distribuição típicas, cronicidade e história pessoal ou familiar de atopia. O tratamento da dermatite atópica é multifacetado e visa controlar o prurido, reduzir a inflamação, restaurar a barreira cutânea e evitar fatores desencadeantes. A conduta inclui o uso de hidratantes emolientes de forma contínua para restaurar a barreira cutânea. Para o controle da inflamação, corticosteroides tópicos de baixa a média potência são a primeira linha para as exacerbações agudas, usados por curtos períodos (ex: 10 dias). Os inibidores de calcineurina tópicos, como o tacrolimus, são uma excelente opção para o tratamento de manutenção, para áreas sensíveis (face, dobras) e para reduzir o uso de esteroides, pois não causam atrofia cutânea. Além disso, é crucial identificar e afastar fatores agravantes, como sabonetes irritantes, tecidos sintéticos e alérgenos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para dermatite atópica em crianças?

Os critérios incluem prurido, lesões eczematosas com morfologia e distribuição típicas para a idade (face e superfícies extensoras em lactentes; fossas flexurais em crianças), história pessoal ou familiar de atopia (asma, rinite alérgica, dermatite atópica) e pele seca.

Qual o papel dos corticosteroides tópicos e dos inibidores de calcineurina no tratamento da dermatite atópica?

Corticosteroides tópicos são a primeira linha para controlar a inflamação e o prurido nas fases de exacerbação. Inibidores de calcineurina (como tacrolimus) são usados para manutenção e em áreas sensíveis, reduzindo a necessidade de esteroides.

Por que a hidratação da pele é tão importante no manejo da dermatite atópica?

A pele atópica possui uma barreira cutânea comprometida, o que leva à perda de água e maior penetração de alérgenos e irritantes. A hidratação regular restaura a barreira, reduz a secura, o prurido e a frequência das exacerbações.

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