IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2025
Em paciente de 7 anos com dermatite atópica grave e sensibilização a múltiplos aeroalérgenos, sobre as medidas de controle ambiental baseadas em evidências científicas atuais, alternativa correta:
DA grave + aeroalérgenos → Benefício clínico real apenas com intervenções ambientais combinadas.
Medidas isoladas (apenas capas ou apenas filtros) são insuficientes; o controle ambiental eficaz na dermatite atópica exige uma abordagem multifatorial e integrada.
A dermatite atópica (DA) é uma doença inflamatória crônica complexa onde a genética e o ambiente interagem. Em pacientes sensibilizados, os aeroalérgenos atuam como gatilhos que exacerbam a disfunção da barreira cutânea e a resposta imune Th2. O controle ambiental é frequentemente negligenciado ou orientado de forma simplista. O médico deve educar a família sobre a necessidade de uma mudança estrutural no ambiente doméstico, enfatizando que a 'limpeza' comum não é sinônimo de 'controle de ácaros'. A abordagem deve ser personalizada, focando especialmente no quarto da criança, onde ela passa a maior parte do tempo.
Embora as capas impermeáveis para colchões e travesseiros reduzam a exposição local aos ácaros (Dermatophagoides spp.), elas não eliminam os alérgenos presentes em outras partes do ambiente, como cortinas, carpetes, bichos de pelúcia e estofados. Na dermatite atópica grave, a barreira cutânea está comprometida, facilitando a penetração de aeroalérgenos. Estudos mostram que a redução isolada em um ponto do quarto não é suficiente para diminuir a inflamação sistêmica e cutânea de forma significativa, sendo necessária uma redução drástica e global da carga alergênica no domicílio.
As evidências atuais apontam que o benefício clínico é observado quando se implementa um 'pacote' de intervenções: uso de capas antiácaro de alta qualidade, lavagem semanal de roupas de cama em água quente (>55°C), remoção de carpetes e tapetes do quarto, manutenção da umidade relativa do ar abaixo de 50% (para impedir a proliferação de ácaros) e uso de aspiradores com filtro HEPA. Essa abordagem integrada visa reduzir a exposição total do paciente, o que pode auxiliar no controle dos surtos e na redução da necessidade de corticoides tópicos.
Os purificadores de ar com filtro HEPA (High Efficiency Particulate Air) são eficazes na remoção de partículas em suspensão, como epitélio de animais e alguns pólens. No entanto, os alérgenos de ácaros são relativamente pesados e não permanecem no ar por muito tempo, depositando-se rapidamente nas superfícies. Portanto, o uso isolado de purificadores de ar tem pouco impacto nos níveis de ácaros domésticos. Eles podem ser úteis como parte de uma estratégia maior, especialmente em pacientes com rinite ou asma associada, mas nunca como medida única para o controle da dermatite atópica.
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