USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Um pré-escolar de 4 anos e 12 kg foi submetido a cirurgia abdominal de baixa complexidade com anestesia geral, sem intercorrências. Ao final do procedimento, recebeu uma dose adicional endovenosa de fentanil e cetoprofeno para analgesia. Veio direto para enfermaria pediátrica, 1 hora após o final da cirurgia. Após 30 minutos, você é chamado para avaliar a criança, pois a mãe diz que ela não acorda. Ao exame físico: corada, hidratada, acianótica, anictérica e afebril. Frequência cardíaca 110 bpm, frequência respiratória 10 irpm, pressão arterial 95 x 55 mmHg, saturação periférica de oxigênio 90% em ar ambiente. Ausculta respiratória mostra murmurio vesicular simétrico, sem ruídos adventícios. Ausculta cardíaca revela ritmo regular, duas bulhas normofonéticas, sem sopros, pulsos centrais e periféricos fortes, tempo de enchimento capilar 2 segundos. Abdome sem anormalidades. Pupilas mióticas e isocóricas. Com base no quadro clinico acima, qual o tratamento farmacológico imediato mais adequado para esta situação clínica?
Depressão respiratória + miose pós-fentanil em criança → Naloxona.
O quadro de sonolência profunda, bradipneia (FR 10 irpm), hipoxemia (SatO2 90%) e miose pupilar em uma criança que recebeu fentanil pós-cirurgia é altamente sugestivo de depressão respiratória induzida por opioides. A naloxona é o antídoto específico.
A depressão respiratória é uma complicação grave e potencialmente fatal do uso de opioides, especialmente em crianças, que são mais sensíveis aos seus efeitos. O fentanil, um opioide potente, é frequentemente utilizado para analgesia intra e pós-operatória. No entanto, sua dosagem e monitoramento inadequados podem levar a uma superdosagem relativa e consequente depressão do centro respiratório. O quadro clínico apresentado – sonolência profunda, bradipneia (FR 10 irpm é muito baixa para um pré-escolar), hipoxemia (SatO2 90% em ar ambiente) e miose pupilar – é classicamente associado à intoxicação por opioides. A ausência de outros sinais de choque ou comprometimento hemodinâmico grave reforça a hipótese de depressão respiratória isolada. Nesse cenário, o tratamento farmacológico imediato é a administração de naloxona, um antagonista puro dos receptores opioides. A naloxona reverte rapidamente os efeitos dos opioides, restaurando a função respiratória e o nível de consciência. É crucial monitorar a criança após a administração, pois a meia-vida da naloxona pode ser menor que a do opioide, exigindo doses repetidas ou infusão contínua. As outras opções (Haloperidol, Flumazenil, Glicose) não são apropriadas para reverter a depressão respiratória induzida por opioides.
Os sinais incluem sonolência excessiva, bradipneia (frequência respiratória baixa), hipoxemia, miose pupilar e, em casos graves, apneia e cianose.
A naloxona é um antagonista competitivo dos receptores opioides, revertendo rapidamente os efeitos depressores respiratórios e sedativos dos opioides, sendo o tratamento farmacológico imediato mais adequado.
A dose inicial de naloxona em crianças para depressão respiratória por opioides é geralmente de 0,01 a 0,1 mg/kg IV, podendo ser repetida a cada 2-3 minutos até a reversão dos sintomas.
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