Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025
Lactente de 3 meses é levado ao consultório para uma consulta de rotina. Seu comprimento e peso estão no percentil 25 e houve um ganho ponderal de cerca de 15 gramas/dia. Na investigação sobre o aleitamento materno e os cuidados dispensados à criança, a mãe começa a chorar e afirma que está fazendo tudo o que pode para alimentá-lo, porém "ele chora o tempo todo". A mãe sente-se desaminada durante a amamentação e diz não receber apoio de seu marido que trabalha 14 horas por dia. Mãe diz que não tem dormido bem e frequentemente chora sem motivo aparente. Ela parece desarrumada e despenteada durante o atendimento e diz que "se preocupa mais com as roupas do filho do que com as dela". O que está indicado realizar para essa mãe?
Sinais de desânimo + choro fácil + autocuidado ↓ no puerpério → Aplicar Escala de Edimburgo.
A Escala de Edimburgo (EPDS) é a ferramenta padrão-ouro validada para triagem de depressão pós-parto, devendo ser aplicada rotineiramente em consultas de puerpério e pediatria.
A depressão pós-parto é uma condição prevalente que afeta cerca de 10% a 20% das puérperas, com sérias implicações para o binômio mãe-filho. O caso clínico apresenta uma mãe com sinais clássicos: choro frequente, desânimo, falta de suporte social (marido ausente) e negligência com o autocuidado, o que levanta alta suspeição diagnóstica. A Escala de Edimburgo é um instrumento de autorrelato validado mundialmente por sua sensibilidade em detectar sintomas depressivos e ansiosos específicos do período perinatal. Diferente de escalas gerais como a de Beck ou Vanderbilt (focada em TDAH), a EPDS foca na experiência emocional do puerpério, sendo fundamental para o diagnóstico precoce e encaminhamento adequado ao serviço de saúde mental.
O Baby Blues, ou disforia puerperal, atinge até 80% das mulheres, iniciando-se nos primeiros dias após o parto e resolvendo-se espontaneamente em até duas semanas; os sintomas são leves, como labilidade emocional e irritabilidade. Já a Depressão Pós-Parto (DPP) é um transtorno depressivo maior que surge geralmente nas primeiras 4 a 12 semanas pós-parto, com sintomas intensos de anedonia, desânimo, distúrbios do sono e, por vezes, pensamentos de autoextermínio ou rejeição ao lactente, exigindo tratamento psicoterapêutico e/ou farmacológico.
A Escala de Edimburgo (EPDS) consiste em 10 perguntas sobre o estado emocional nos últimos 7 dias. Uma pontuação igual ou superior a 10, 12 ou 13 (dependendo da validação local e do ponto de corte escolhido) sugere a presença de sintomas depressivos significativos. É crucial observar a pergunta número 10, que avalia ideação suicida; qualquer resposta positiva nesta questão exige avaliação psiquiátrica imediata, independentemente da pontuação total da escala.
O pediatra ocupa uma posição privilegiada para identificar transtornos mentais maternos, pois mantém contato frequente com a família nos primeiros meses de vida do bebê. A saúde mental da mãe impacta diretamente o desenvolvimento neuropsicomotor da criança e o estabelecimento do vínculo afetivo. Portanto, a aplicação de ferramentas de triagem como a EPDS durante as consultas de puericultura é recomendada por diversas sociedades internacionais de pediatria como parte do cuidado integral à criança.
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